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Economia

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Em meio à crise política, Bolsa tem maior alta desde 2009 e dólar cai

Ibovespa registrou alta de 6,6% nesta quinta e ultrapassou os 50 mil pontos; dólar caiu 2,55%, o que não acontecia há quase um ano

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O Estado de S. Paulo

17 Março 2016 | 09h14

SÃO PAULO - Os mercados financeiros do Brasil continuaram a refletir a reação à suspensão, em caráter liminar, da posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil, com dólar em queda e o Ibovespa em forte alta. A percepção de maior chance de um impeachment da presidente Dilma Rousseff determinou a valorização das ações e do real.

dólar encerrou o pregão desta quinta-feira em queda de 2,55%, maior tombo desde 23 de março de 2015, cotado a R$ 3,6473. O Ibovespa se valorizou 6,6%, e chegou aos 50.913,79 pontos.

 

As ações de empresas relacionadas ao governo ficaram entre as maiores altas do dia, como Petrobrás PN (+12,03%) e Banco do Brasil ON (+14,37%). O bom humor no exterior também favoreceu empresas ligadas a commodities, como Vale ON (+4,59%) e CSN ON (+18,18).

No mercado de câmbio, o destaque desta tarde foi o anúncio do Banco Central de que deixará de promover a rolagem integral dos contratos de swap cambial (o equivalente à venda de dólares no mercado futuro)Em um curto comunicado, a autoridade monetária justificou sua decisão pelas condições do "atual ambiente internacional". Apesar do comunicado de menor oferta do derivativo cambial, o dólar não exibiu reação e manteve o ritmo de queda.

Em entrevista a jornalistas, um porta-voz do Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou nesta tarde que o Brasil vive uma situação difícil e passa por sérios problemas políticos, destacando que a instituição está "monitorando de perto" os desdobramentos no país. A recomendação do FMI é que o Brasil prossiga com a tentativa de consolidar as contas fiscais, de manter a inflação dentro da meta, reforçando o arcabouço de política econômica.

 

Posse. Durante a posse de Lula, Dilma acusou a oposição de querer tirar o seu mandato de forma golpista. "Com Lula, teremos mais força de superar as armadilhas que jogam no nosso caminho", disse. Segundo ela, desde as eleições de 2014 os oposicionistas "não fazem outra coisa a não ser paralisar o meu governo e tirar o meu mandato de forma golpista."

Também em Brasília, lideranças da oposição decidiram pressionar o PMDB a apoiar o impeachment da presidente Dilma Rousseff, em encontro no gabinete do presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG) nesta quinta-feira. "Queremos uma posição do PMDB, é o fiel da balança", disse o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), após a reunião

Janot. Em Berna, na Suíça, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já disse hoje cedo ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, que ninguém é imune a investigações, ao ser questionado sobre a possibilidade de pedir a abertura de inquérito contra a presidente Dilma Rousseff por causa das suspeitas de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato. 

O procurador já havia apontado nessa direção na quarta-feira, 16, em Paris, diante do conteúdo da delação premiada do senador Delcídio Amaral. Agora, seus assessores indicam que a possibilidade foi reforçada com a divulgação dos telefonemas trocados entre Dilma e Lula.

(Ana Luísa Westphalen, Silvana Rocha, Altamiro Silva Junior, Luciana Antonello Xavier e Paula Dias)

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