Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Bolsa recua e dólar cai para R$ 3,26 com julgamento no TSE

Com expectativa de que delações da Odebrecht não sejam incorporadas ao processo, analistas acreditam que decisão final será favorável ao governo de Michel Temer; bancos e setor elétrico influenciaram queda do Ibovespa

Denise Abarca, O Estado de S.Paulo

08 Junho 2017 | 17h32

A Bolsa recuou nesta quinta-feira, 8, com a tensão no cenário político em relação ao julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da ação que pode cassar a chapa Dilma-Temer. O Índice Bovespa encerrou os negócios em queda de 0,66%, aos 62.755,57 pontos, com bancos e setor elétrico penalizados pela cautela do investidor. O dólar fechou também em queda de 0,35%, aos R$ 3,2632. Mais cedo, a moeda subiu e chegou a tocar os R$ 3,28.

O foco político, que hoje segue sendo o julgamento da chapa Dilma-Temer nas eleições de 2014 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pesou no início do dia. Depois, porém, contribuiu para o alívio, dado o reforço na expectativa de que a chapa não deve ser cassada. 

Medida Provisória abre espaço para bancos fazerem acordos de leniência com o BC

Os ministros do TSE sinalizaram que não vão incorporar as delações da Odebrecht em seus votos, o que era uma aposta das defesas de Dilma e de Temer. "Com isso, já que parece não haver um plano B no Congresso, evita-se maior estresse no curtíssimo prazo e o governo pode continuar negociando as reformas e ver o que consegue aprovar", afirmou o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno.

A sessão deste terceiro dia de julgamento começou pouco antes das 9h30 e foi interrompida para o almoço, tendo sido retomada perto das 15h. No momento, o relator do processo, ministro Herman Benjamin, está lendo seu parecer, e sinalizou que deve votar pela cassação da chapa.

Mais para o final da sessão, os investidores também começaram a se antecipar ao IPCA de maio, que será divulgado nesta sexta-feira, 9, pelo IBGE. A expectativa é que haja uma surpresa positiva com a inflação.

Pesquisa realizada pelo serviço Projeções Broadcast mostra que as expectativas dos analistas estão entre 0,25% e 0,53%, com mediana de 0,47%. Em abril, a taxa foi de 0,14%.

Ações. Investidores do mercado de ações atuaram hoje novamente sob a insígnia da cautela na chamada "super quinta" onde, no plano doméstico, ocorreu o terceiro dia do julgamento da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, no exterior, o depoimento de James Comey, ex-diretor do FBI, além da acirrada corrida para a eleição parlamentar no Reino Unido. O receio se materializou no baixo volume de operações, de R$ 6,20 bilhões, semelhante aos montantes movimentados em janeiro. 

Com peso significativo no Ibovespa, de mais de 25%, as instituições financeiras deram o tom negativo da sessão. Voltaram a circular entre os investidores os rumores sobre possível delação do ex-ministro Antonio Palocci, na qual ele poderia falar sobre suas relações estreitas com empresas e bancos. 

Aliado a isso, os agentes receberam com precaução a publicação da Medida Provisória (MP) 784 que amplia poderes do Banco Central sobre infrações, penalidades, medidas coercitivas aplicáveis às instituições supervisionadas. Com ela, a autoridade monetária poderá fechar acordos de leniência com os integrantes do Sistema de Pagamentos Brasileiro. Nesse contexto, a Unit do Santander perdeu 3,04%, o Bradesco PN recuou 1,51%, o Banco do Brasil ON caiu 1,50% e Itaú Unibanco, 1,04%.   

Bancos e o bloco do setor elétrico fizeram contraposição às altas dos papéis de Petrobrás e Vale. Elétricas foram impactadas por uma notícia policial e outra corporativa. A primeira, relacionada à operação Barão Gatuno, que investiga corrupção em Furnas. A outra, no plano corporativo, com a Copel confirmando que avalia eventual oferta subsequente de ações. Ao final do pregão, CPFL recuperou as perdas, mas Copel recuou 7,69%./ COM SIMONE CAVALCANTI

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