Dario Oliveira/Código-18
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Bolsa sobe 1,55% e alcança patamar de fechamento histórico

Com otimismo sobre reforma da Previdência e certo descolamento do cenário político, Índice Bovespa fechou a 76,9 mil pontos; dólar registrou leve queda

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2017 | 17h50

Diante de uma nova ofensiva na Câmara dos Deputados para colocar em votação a reforma da Previdência ainda neste ano e dos cenários externo e interno favoráveis, a Bolsa voltou a bater recorde nominal nesta terça-feira, 10. O Ibovespa, principal índice da B3 (a Bolsa paulista), subiu 1,55% e fechou a 76.897,20 pontos.

Hoje, o mercado já começou o dia em alta com a notícia de que o Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu a previsão de crescimento para o País neste ano de 0,3% para 0,7%, o que deixou os investidores otimistas com a perspectiva de retomada da economia. “A reforma da Previdência, a revisão do FMI e o aumento da venda de papelão ondulado (um dos principais termômetros do nível de atividade) são dados que dão consistência à recuperação da economia”, afirmou o analista da XP Investimentos Marco Saravalle. A informação de que os governistas articulam um projeto mais enxuto de reforma da Previdência para ser votado na Câmara em novembro foi antecipado ontem pelo Estado. 

O otimismo com o mercado doméstico ajudou principalmente as ações dos bancos. O Santander avançou 3,81%, enquanto o Itaú Unibanco e o Bradesco registraram alta de 2,49% e 2,12%, respectivamente.

Também favoreceu o Ibovespa o cenário internacional positivo, com altas dos preços do petróleo e dos mercados acionários dos Estados Unidos. O índice Dow Jones também alcançou uma máxima histórica, a 22.830,68 pontos, com incremento de 0,31%. O Nasdaq avançou 0,11%. Já o aumento dos preços do petróleo nos mercados futuros de Londres e Nova York foi um importante motor para os ganhos da Petrobrás. Os papéis ordinários (com direito a voto) da estatal subiram 1,46% e os preferenciais, 1,89%.

 

Incertezas. Para o economista Silvio Campos, da Tendências Consultoria, o desempenho da Bolsa ontem foi “um pouco surpreendente”, já que há um quadro de incertezas no radar. “Se o governo conseguir passar a reforma da Previdência em novembro, haverá um impulso ainda maior (ao mercado de ações). Mas, caso não consiga, ficará só para o próximo governo”, destacou. O economista afirmou ainda que os investidores devem, agora, começar a olhar para as eleições presidenciais de 2018, o que pode colocar um freio no Ibovespa.

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O professor de estratégia financeira do Ibmec Paulo Azevedo, porém, ainda vê espaço para novos recordes neste ano porque já não há mais preocupações de que a política econômica mude de rota até o fim de 2018. “Antes, existia o temor de que Temer sofresse um impeachment”, afirmou.

Ontem, a leitura do relatório, na Câmara, da denúncia contra Temer ficou em segundo plano para o mercado de ações, que já contava com um tom governista por parte do relator Bonifácio de Andrada (PSDB-MG). O assunto foi considerado neutro para os negócios.

Futuro. Apesar do clima de incertezas criado pelas eleições de 2018, a XP Investimentos também projeta que a Bolsa siga uma tendência de alta até o fim do próximo ano. Em sua estimativa mais otimista, a corretora aposta que o Ibovespa chegue a 90,8 mil pontos, o que significaria uma elevação de 18% na comparação com os 76.897 pontos de ontem. “Esse patamar pode ser atingido antes de dezembro de 2018”, afirmou Saravalle, analista da corretora.

O mercado de ações brasileiro vem atingindo patamares históricos desde 11 de setembro, quando o Ibovespa ultrapassou a casa dos 74 mil pontos pela primeira vez. Até então, o recorde era de 73.516 pontos, registrado em 2008.

O recorde, no entanto, não se verifica quando são considerados em dólares os valores de mercado das empresas que compõem o Ibovespa. De acordo com a Economática, o índice em dólares alcançou sua maior pontuação em 19 de maio de 2008: 44.616 pontos. Com essa base de comparação, o Ibovespa atingiu, em setembro, a casa dos 24 mil pontos.

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