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Petróleo faz Bolsa ter maior queda porcentual desde 2011

Ibovespa fechou em baixa de quase 5% e dólar voltou a subir, fechando a R$ 3,99; para analista, mercado está assustado com queda nos preços da commodity

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Cláudia Violante, Paula Dias,
O Estado de S. Paulo

02 Fevereiro 2016 | 11h33

A Bovespa interrompeu a sequência de altas das últimas quatro sessões e teve forte queda no pregão desta terça-feira, 2. Pressionada pelo petróleo, aversão ao risco global e alguns balanços domésticos, o principal índice à vista amargou sua maior queda porcentual desde agosto de 2011.  

A Bolsa recuou 4,87%, maior queda porcentual desde 8 de agosto de 2011 (-8,08%), aos 38.596,17 pontos, na mínima do dia. Na máxima, marcou 40.564 pontos (-0,02%). No mês, acumula retração de 4,48% e, no ano, de 10,96%. O giro financeiro totalizou R$ 6,248 bilhões. 

"O recuo do petróleo está assustando o mercado, gerando aversão ao risco e isso levou Europa e Estados Unidos para o negativo hoje", comentou Vitor Miziara, sócio da Criteria Investimentos. "Aqui, essa aversão encontrou a Bolsa vindo de quatro altas seguidas, período no qual avançou sem grandes motivos", destacou. 

Na Nymex, o contrato do petróleo para março recuou 5,50%, a US$ 29,88 o barril. Em Londres, o contrato para abriu recuou 4,44%, a US$ 32,72 o barril. 

Petrobrás ON (ação com direito a voto) caiu 8,51% e PN (preferência por dividendos), recuou 8,90%. Vale ON recuou 9,47% e a PNA, 9,38%. 

Uma das razões para a commodity se manter em baixa hoje foi a notícia de que a maioria dos membros da Opep não apoia a realização de uma reunião emergencial antes da já prevista para junho. O desempenho do petróleo coordenou a aversão ao risco que derrubou as bolsas norte-americanas.

 

Durante a tarde, os investidores apenas monitoraram a fala da presidente Dilma Rousseff na abertura do ano legislativo do Congresso. O mercado também ficou de olho no encontro da equipe da Moody's com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. 

Alguns balanços contribuíram para o clima ruim - e as perdas firmes do Ibovespa. Itaú Unibanco foi um deles, mais por causa das perspectivas do que pelos números em si, que vieram em linha com as projeções. 

Itaú Unibanco PN caiu 8,72%, entre as maiores quedas do Ibovespa, da mesma forma que Itaúsa PN (-8,24%). O banco anunciou lucro líquido de R$ 5,698 bilhões no quarto trimestre, alta de 3,22% ante igual período do ano anterior. Ante o terceiro trimestre, houve retração de 4,15%. 

Cielo ON, por sua vez, caiu 6,45%. O lucro líquido da empresa somou R$ 852,7 milhões no quarto trimestre, 6,2% a mais que os R$ 803 milhões registrados no mesmo intervalo de 2014. Na comparação trimestral, contudo, o resultado foi 2,8% menor. A cifra ficou abaixo da estimativa dos analistas.

Dólar. Depois de três dias consecutivos de baixa, o dólar passou por um ajuste e fechou em alta de 0,63% no mercado à vista, cotado a R$ 3,9924. O mau humor nos mercados globais diante de mais uma forte queda dos preços do petróleo justificou a correção, que ocorreu de maneira moderada, com investidores recompondo algumas posições compradas.

Em três dias de baixa, a moeda americana havia perdido 3,19%, voltando ao patamar abaixo dos R$ 4,00. Na véspera, a queda se manteve mesmo em meio ao recuo dos preços do petróleo, num movimento sustentado pelo ingresso de recursos para os mercados de ações e renda fixa. Nesta terça-feira, a nova queda da commodity reacendeu a aversão ao risco e acabou por interromper essa tendência. Com isso, o dólar ganhou força diante de praticamente todas as moedas de países emergentes e exportadores de commodities, como o Brasil.

Na máxima do dia, a divisa chegou a atingir R$ 4,0190 no mercado à vista, com alta de 1,30%. À tarde, houve certa desaceleração. Segundo profissionais do mercado de câmbio, o avanço só não foi maior porque, mais para o fim da sessão, a percepção de que é alto o custo de carregamento de posições compradas reconduziu a divisa para abaixo dos R$ 4,00.

No cenário doméstico, um dos destaques foi a divulgação da produção industrial brasileira, que caiu 0,72% em dezembro ante novembro e fechou 2015 com retração de 8,3%. O resultado no ano é o pior desde o início da série histórica, em 2003. Os dados fracos reforçaram as apostas de manutenção da Selic nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) neste ano. 

No cenário político, o destaque ficou por conta da abertura da sessão conjunta do Congresso Nacional, após o recesso parlamentar. A cerimônia que abriu os trabalhos legislativos de 2016 contou com a presença da presidente Dilma Rousseff, que desde 2011 não comparecia ao evento. Apesar de ter sido vaiada cinco vezes e interpelada por uma deputada tucana durante seu discurso, Dilma avaliou como "ótima" a receptividade de deputados e senadores. O discurso da presidente, que buscou engajar o Congresso em torno das medidas de ajuste fiscal, foi monitorado no mercado, mas não trouxe novidades além do que já era esperado. 

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