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Bolsas da China fecham mais cedo após forte queda no primeiro pregão do ano

Mercado reagiu mal a dados chineses de produção industrial e movimento de baixa afetou os negócios em outros países da Ásia e do Pacífico; novo mecanismo de proteção fez com que a sessão fosse encerrada mais cedo

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Sérgio Caldas,
O Estado de S. Paulo

04 Janeiro 2016 | 08h56

As bolsas da Ásia e do Pacífico encerraram o primeiro pregão de 2016 com fortes perdas, após números decepcionantes sobre a manufatura da China reacenderem preocupações sobre a saúde da segunda maior economia do mundo e levarem os mercados chineses a fecharem antes do horário normal, em meio a estreia de um novo sistema de circuit breaker, mecanismo que interrompe as negociações quando há movimentos muito intensos durante o pregão.

O Xangai Composto, principal índice acionário da China, sofreu um tombo de 6,9% nesta segunda-feira, terminando a sessão a 3.296,66 pontos, enquanto o Shenzhen Composto, que tem menor abrangência, despencou 8,2%, a 2.119,90 pontos. A queda do Xangai foi a maior já registrada no primeiro dia do ano.

Mais de 1.200 ações das bolsas de Xangai e de Shenzhen ultrapassaram o limite diário de desvalorização de 10% hoje, segundo a Wind Information.

Em Hong Kong, o Hang Seng teve baixa de 2,68%, a 21.327,12 pontos, enquanto o índice sul-coreano Kospi perdeu 2,17%, a 1.918,76 pontos, o menor nível da sessão. No mercado taiwanês, o Taiex registrou baixa de 2,7%, a 8.114,26 pontos, apresentando seu pior desempenho no primeiro dia de ano desde 1998, e em Manila, o índice filipino PSEi caiu 1,7%, a 6.833,42 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana seguiu o fraco desempenho dos mercados asiáticos, com o sentimento dos investidores também influenciado pelo indicador ruim da China. O S&P/ASX 200, índice que reúne as empresas mais negociadas em Sydney, recuou 0,5% nesta segunda, a 5.270,50 pontos. Em 2015, o índice australiano teve queda acumulada de 2,1%, depois de mostrar ganhos nos três anos anteriores.

Cenário. O mau humor na Ásia veio após pesquisa da Caixin Media e da Markit mostrar que o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial chinês recuou para 48,2 em dezembro, de 48,6 em novembro. O resultado marcou o 10º mês consecutivo de leitura abaixo da barreira psicológica de 50,0, o que indica contração de atividade na manufatura chinesa.

Outro fator de preocupação para os investidores é a fraqueza da moeda chinesa, o yuan. Para os negócios desta segunda-feira, 4, o Banco do Povo da China (PBoC, o banco central chinês) estabeleceu a taxa de paridade em 6,5032 yuans por dólar, o menor nível da divisa chinesa desde 2011, ante 6,4936 yuans/dólar na última quinta-feira (31).

O PMI ruim coincidiu com o início do funcionamento do sistema de circuit breaker nas bolsas chinesas, anunciado em dezembro.

Como o CSI 300, índice que reúne as 300 ações mais líquidas negociadas em Xangai e Shenzhen, atingiu o limite de queda de 7%, os negócios com ações na China foram encerrados mais cedo. Antes disso, as transações chegaram a ser interrompidas por 15 minutos, logo após o CSI mostrar perdas de 5%.

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