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Bombril volta às mãos da família Sampaio Ferreira

Agencia Estado

11 Julho 2006 | 08h 55

Por três votos a zero, a 4ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo pôs fim, na última sexta-feira, à administração judicial da Bombril, atendendo pedido de Ronaldo Sampaio Ferreira, filho do fundador da empresa. Ontem, o executivo José Roberto D'Aprille, indicado por Ferreira, assumiu o posto de diretor-geral da companhia. O retorno de Ferreira à Bombril, agora na condição de acionista majoritário, é resultado de uma barulhenta batalha judicial iniciada após 2002, quando o italiano Sergio Cragnotti, então controlador da Bombril, se envolveu em um escândalo financeiro na Itália. Seu grupo, o Cirio, acabou quebrando, e as dívidas com os credores, incluindo os da Bombril, não foram honradas. Ferreira pediu a administração judicial para que a Cirio Finanziaria, controladora da holding Bombril, pagasse pela sua participação na empresa. Segundo Ferreira, ele não havia recebido de Cragnotti o pagamento pelas ações da Bombril. Ferreira ganhou na Justiça o reconhecimento dessa dívida, e em julho de 2003 teve início a administração judicial. Depois disso, porém, o advogado que o representava, Augusto Coelho, ganhou uma ação em que pedia que a administração judicial fosse exercida em seu nome, como garantia de pagamento de honorários então estimados em R$ 80 milhões. Ferreira passou então a lutar pelo fim da administração judicial e contra o seu ex-advogado, sobretudo após ser procurado para acordo com comissários nomeados pela Justiça italiana para gerir os negócios de Cragnotti, que lhe ofereciam acordo que implicava no controle da Bombril. O atual advogado de Ferreira, Eduardo Munhoz, diz que a decisão do Tribunal, não só encerrou os três anos que durou a administração judicial como reduziu os honorários de Coelho a R$ 20 milhões. Esse valor, explica Munhoz, será dividido por Coelho com o escritório de advocacia Ferrari Magalhães e Ferraz, que o sucedeu na representação de Ferreira. Com a decisão da Justiça e o acordo feito com os comissários italianos liderados por Mário Resca, Ferreira passou a deter 55% da Bombril S.A., por meio da Bombril Holding, que tem 45% da empresa e da qual ele passou a ter 80% do capital. Entre os outros acionistas da Bombril, além de minoritários, destacam-se a Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) e o BNDES. D'Aprille disse ontem à reportagem do O Estado de S.Paulo que seu desafio será o de manter a liderança das marcas e integrar a coligada Pronto, de Pernambuco, que fabrica produtos mais baratos vendidos no Nordeste. O executivo disse que os funcionários estão aliviados pelo fato de a "empresa agora voltar a ter um dono". A última vez em que cruzou as portas da fábrica da Bombril, em São Bernardo do Campo (SP), foi para vendê-la, a pedido de Cragnotti. Agora, sua missão é recuperá-la após toda a crise. A Bombril foi fundada em 1948 como fabricante de lã de aço. Hoje, produz 124 itens de limpeza em três fábricas - São Bernardo do Campo, Abreu e Lima (PE) e Sete Lagoas (MG) -, emprega 2 mil pessoas e tem outras marcas na carteira, como Limpol, Mon Bijou, Sapólio Radium, Pronto e Pinho Bril.