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Ricardo Moraes/Reuters

Crise política faz dólar fechar a R$ 3,59 e cair mais de 10% em março

Moeda recuou 0,67% no pregão desta sexta-feira; Bolsa chegou a bater a marca dos 50 mil pontos durante a sessão, patamar que não era atingido desde agosto do ano passado

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O Estado de S.Paulo

11 Março 2016 | 12h51

 SÃO PAULO - O dólar comercial fechou abaixo dos R$ 3,60 nesta sexta-feira, 11, refletindo os desdobramentos das investigações da Operação Lava Jato e o pedido de prisão do ex-presidente Lula. A moeda recuou 0,67%, cotada a R$ 3,5945, no menor patamar desde agosto do ano passado. Apenas nas primeiras duas semanas de março, o dólar já acumula queda de mais de 10%.

Um dia após fechar em baixa de mais de 2%, a moeda abriu a sessão em alta, mas virou para o terreno negativo. O cenário político é o que dá volatilidade ao mercado e foi citado tanto para explicar a alta durante a manhã como a queda pela tarde. De manhã, analistas afirmavam que havia cautela dos investidores antes da decisão da Justiça sobre o pedido de prisão preventiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da convenção do PMDB marcada para este sábado, 12, e das manifestações contra o governo Dilma, para domingo. O movimento de alta inclui ainda ajustes técnicos.

"É claro que o mercado acha que quanto mais fraco ficar o atual governo, melhor, porque Dilma tende a cair. Só que ontem mesmo muita gente criticou o Ministério Público de São Paulo, inclusive membros da oposição", disse um profissional. "O mercado acabou ficando mais cauteloso pela manhã e comprou um pouco de moeda." 

Ao longo do dia, porém, o dólar voltou a desacelerar. Além do fato de a moeda americana também estar em queda no exterior, em relação a várias divisas de países emergentes e exportadores de commodities, pesava o fato de o fim de semana estar próximo. A convenção do PMDB no sábado, que pode fazer o partido se afastar do Planalto, e as manifestações de domingo eram citadas como motivo para manter ou elevar posições vendidas em dólar - e não compradas.

Em função disso, o dólar renovou algumas mínimas no início da tarde e, novamente, mais perto do fim da jornada. No melhor momento, às 16h51, marcou R$ 3,5850 (-0,93%). Depois, encerrou nos R$ 3,5945.

Desde o início do mês, o mercado financeiro reage com mais força a fatores que podem enfraquecer o governo Dilma, como a prisão do marqueteiro João Santana e sua mulher e as notícias sobre a delação do senador Delcídio Amaral. A condução coercitiva do ex-presidente Lula e seu pedido prisão mexeram ainda mais com os ânimos dos investidores, pois a eventual saída da presidente é vista como uma das soluções para os impasses políticos no País, como o ajuste fiscal, por exemplo.

 

 

 

Bolsa. As mesmas expectativas se aplicam aos negócios na Bovespa. Nesta sexta-feira, o principal índice de ações do mercado brasileiro chegou a bater a marca dos 50 mil, patamar que não era atingido desde 6 de agosto do ano passado, um mês antes da perda do grau de investimento do País pela agência de classificação de risco Standard & Poor's, a primeira a retirar do Brasil o "selo de bom pagador".

O Ibovespa fechou em leve alta de 0,14% aos 49.638,68 pontos, depois de demonstrar bastante instabilidade nos dois turnos de negócios. A valorização de 16% acumulada nas últimas duas semanas foi considerada um impeditivo para um avanço acima desse patamar, visto como de resistência por analistas gráficos. Na semana, o índice marcou uma alta de 1,13%. Em 2016, os ganhos são de 14,51%.

A falta de uma direção clara e firme na Bovespa foi provocada pelo noticiário político com poucas novidades e a fraca agenda doméstica de indicadores econômicos. "O que vemos é o investidor ajustando posição à espera das manifestações de domingo e para a convenção do PMDB", afirmou Hersz Ferman, analista da Elite Corretora. 

A pressão de alta sobre o Ibovespa veio do exterior. Na avaliação de Ferman e do analista da Guide Investimentos, Luis Gustavo Pereira, a Bolsa doméstica acompanhou o mercado externo, onde as bolsas de Nova York e da Europa fecharam em alta, assim como os contratos futuros do petróleo em Nova York (Nymex) e em Londres (ICE). 

As companhias com as ações mais negociadas destacaram-se na valorização. Em boa parte da tarde, os papéis da Petrobrás, Vale e grandes bancos subiram. As ações ON (com direito a voto) da petroleira fecharam em alta de 2,85%. A ON do Banco do Brasil teve ganhos de 6,28%.

Já entre as maiores baixas, os destaques foram Oi ON (-10,17%), Estácio ON (-9,57%), Rumo ON (-6,56%), Lojas Americanas PN (-6,38%),  e Ecorodovias (-5,39%).

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