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Economia

Ásia

Banco Central chinês valoriza o yuan e bolsa de Xangai fecha em alta de 2%

Fraqueza recente do yuan e a disposição mostrada pelo BC chinês de permitir a desvalorização da moeda foram um dos principais fatores para tombo das bolsas na quinta

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Sergio Caldas,
O Estado de S.Paulo

08 Janeiro 2016 | 08h28

SÃO PAULO - Pela primeira vez em nove sessões, o Banco do Povo da China (PBoC, o BC chinês) orientou o yuan para cima frente ao dólar, por meio da taxa de referência diária que baliza os negócios de câmbio. Com isso, as bolsas asiáticas fecharam em alta nesta sexta-feira, 8, também em reação à suspensão do recém-inaugurado sistema de circuit breaker da China.

O Xangai Composto, principal índice acionário chinês, subiu 2%, a 3.186,41 pontos, superando um momento de forte volatilidade no início do pregão e recuperando-se parcialmente, depois de despencar 7% ontem. No acumulado da semana, o Xangai teve desvalorização de 10%, seu pior desempenho desde a semana encerrada no dia 21 de agosto do ano passado.

Em Shenzhen, que é um mercado chinês menos abrangente, o índice local teve alta de 1,1%, a 1.978,72 pontos.

Na sessão anterior, que foi abreviada por um sistema de circuit breaker, os mercados da China continental perderam US$ 1,1 trilhão em valor de mercado.

Analistas e operadores atribuem os ganhos desta sexta à melhora do sentimento, após o PBoC guiar hoje o yuan para cima ante o dólar por meio da taxa de paridade, e a medidas de Pequim para conter a volatilidade recente, que incluíram a suspensão do circuit breaker, que foi utilizado duas vezes desde que estreou esta semana.

A fraqueza recente do yuan - e a disposição mostrada pelo PBoC de permitir que a moeda chinesa continue se desvalorizando - foi um dos principais fatores por trás do tombo sofrido ontem pela Bolsa de Xangai.

Em relação ao circuit breaker, críticos do sistema dizem que os gatilhos de interrupção de negócios foram estabelecidos em níveis muito baixos. Pelo sistema, quedas de 5% do índice CSI 300 - composto pelas 300 ações mais líquidas de Xangai e Shenzhen - provocavam interrupções de quinze minutos nos negócios, enquanto perdas de 7% causavam o fechamento antecipado do pregão, que foi o que ocorreu na segunda-feira e ontem.

Observadores afirmam também que houve compras de ações por parte do governo chinês hoje. "Não é injusto achar que o 'Time Nacional' está presente lá até certo ponto", comentou Bill Bowler, corretor da Forsyth Barr Ásia em Hong Kong, referindo-se a fundos estatais chineses incumbidos de comprar ações.

Em outras partes da Ásia, o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,59%, encerrando a sessão a 20.453,71 pontos, enquanto o índice sul-coreano Kospi subiu 0,70% em Seul, a 1.917,62 pontos, e o Taiex registrou ganho de 0,53% em Taiwan, a 7.893,97 pontos.

Na Oceania, as incertezas com a China continuaram pesando da bolsa da Austrália, que tem no gigante asiático seu maior parceiro comercial. O S&P/ASX 200, que reúne as empresas mais negociadas em Sydney, caiu 0,4%, a 4.990,80 pontos, voltando para níveis abaixo de 5 mil pontos pela primeira vez desde meados de dezembro. Ao longo da semana, o índice australiano acumulou perdas de 5,8%. (Com informações da Dow Jones Newswires)

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