Com Bolsa volátil, ideal é dar foco ao médio e longo prazo

O vaivém das ações pode assustar aqueles que estão menos acostumados com o mercado, por isso os analistas consultados recomendaram dar foco ao médio e longo prazo

Karin Sato, O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2017 | 05h00

Com a votação da reforma da Previdência possivelmente ficando para 2018, a expectativa é de maior volatilidade das chamadas ações cíclicas, que têm o desempenho mais dependente da economia. A dúvida de muitos investidores individuais, neste momento, é o que fazer com esses papéis. O vaivém das ações pode assustar aqueles que estão menos acostumados com o mercado, por isso os analistas consultados recomendaram dar foco ao médio e longo prazo. 

O analista Vitor Suzaki, da Lerosa Investimentos, por exemplo, diz não enxergar motivos para mudanças na alocação, pois as empresas, de forma geral, após dois anos de cenário econômico mais difícil, estão melhor preparadas para o atual momento adverso. A crise, aliás, fez algumas companhias, como a Magazine Luiza, terem seus modelos de gestão reinventados.

Outras apresentaram significativa melhora, em termos de redução de custos e estratégia para obter lucro. Ou seja, fizeram a lição de casa. Suzaki cita como exemplos a Localiza e o Grupo Pão de Açúcar. Por outro lado, lembra, a probabilidade de crescimento das empresas que fizeram a lição de casa, em um cenário de expansão mais vigorosa da economia, é maior. O ideal, portanto, é buscar companhias com histórico de boa gestão e governança corporativa.

A equipe de análise da Magliano também acredita que o investidor deve se apoiar nos bons fundamentos das companhias selecionadas para investimento, em momentos de incertezas na economia. 

Para os investidores mais experientes, o time do Santander lembra da possibilidade de adotar estratégias sofisticadas, como montar operações “long e short”, apostando na alta de um papel e na queda de outro, simultaneamente. 

“A ideia é comprar ações de companhias com bons fundamentos e vender papéis de empresas de perspectivas piores, de modo que a compra da primeira seja financiada pela venda da segunda”, diz o analista Ricardo Vilhar Peretti. “Assim, a operação fica menos direcional (atrelada ao movimento de alta do ativo) e dependente apenas do spread (diferença) entre as duas ações.”

Ele lembra que há ainda os derivativos, que permitem limitar parcial ou totalmente a perda de capital e normalmente incorrem em baixos custos para os investidores. “Nestes casos, é recomendado traçar estratégias de médio a longo prazo, de forma a manter-se protegido por mais tempo”, afirma. 

Cabe lembrar, no entanto, que essas operações não são indicadas para investidores de primeira viagem, uma vez que podem ocasionar perdas, diante da falta de informações, estudo e orientação. 

Entre as ações cíclicas presentes nas carteiras das corretoras estão Magazine Luiza e EzTec, indicações do time da Coinvalores, Carrefour, recomendada pela Guide, Pão de Açúcar, que está no portfólio da Lerosa, BRMalls, recomendações do Bradesco BBI e da Terra Investimentos, Tenda, presente na lista do Bradesco, e CVC, uma das escolhas da equipe do Santander.

Há inúmeras indicações ainda de ações de bancos, que possuem maior correlação com o Índice Bovespa, e podem apresentar volatilidade mais acentuada, a depender do cenário macroeconômico. Itaú Unibanco, por exemplo, integra cinco carteiras, em um total de dez instituições participantes da corretora. Já o Banco do Brasil está no portfólio da XP Investimentos.

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