Com incertezas no cenário político, analistas indicam small caps

Especialistas optaram por ações de empresas menores ao promoverem alterações em suas carteiras

Karin Sato, O Estado de S.Paulo

14 Abril 2018 | 04h00

Diante das incertezas atuais no cenário político, os analistas optaram por small caps, ao promover alterações em suas carteiras nesta semana. O time da Coinvalores, por exemplo, indicou a Trisul, justificando que a incorporadora apresentou resultado sólido no quarto trimestre de 2017, com crescimento nas principais linhas do resultado. 

“A Trisul vem de um processo de reestruturação, que, por conta da dinâmica do setor, é sempre bem longo. Até por isso ela está com estoque, especialmente de unidades prontas, abaixo da média do setor. Isso possibilitou a retomada dos lançamentos e a rentabilidade acima das demais incorporadoras, porque a empresa não precisa ser tão agressiva na política de descontos”, explicou o analista Felipe Silveira.

A Guide Investimentos, por sua vez, incluiu Azul na sua carteira, destacando a malha aérea diferenciada da empresa, as alianças globais estratégicas, especialmente com a United Airlines, e a potencial oferta pública inicial (IPO) do seu programa de fidelidade Tudo Azul, controlado pela companhia. Se sair, essa oferta pode destravar valor no médio prazo, explicaram os analistas da casa.

Entre os nomes incluídos pela Magliano está a empresa do setor elétrico Engie, que, de acordo com o analista Carlos Soares, segue em rápido crescimento, desde que o controle acionário foi adquirido por um operador estrangeiro. 

“Muito bem capitalizada, a Engie tem agora em sua carteira de ativos duas importantes usinas, que antes pertenciam à Cemig, e deve, com isso, ampliar de forma representativa seu poder de geração de energia, com reflexo sobre os resultados do primeiro trimestre de 2018”, diz Soares. O balanço da empresa será divulgado na próxima semana.

A pedido da coluna, nesta semana, os analistas relataram suas expectativas para as siderúrgicas. A equipe de análise da Coinvalores lembrou que o ano começou com uma perspectiva mais favorável para as companhias do setor, com a retomada da demanda doméstica e também da externa propiciando a redução dos níveis de ociosidade e ganhos de margens.

No entanto, as recentes notícias em torno da imposição de tarifas à importação nos Estados Unidos deixaram algumas dúvidas, sobretudo em relação aos preços, e, portanto, elevam a necessidade de seletividade na compra de ações do setor, opinou Felipe Silveira, da Coinvalores.

O time de análise da Planner, por sua vez, citou que é possível que as ações das siderúrgicas registrem ganhos na semana que vem.

“As conversas entre representantes do governo brasileiro e americano na Cúpula das Américas pode deixar mais clara a situação das exportações brasileiras para os EUA”, explicou o analista Victor Martins, da Planner. “Com isso, as ações das siderúrgicas podem se recuperar na próxima semana”, acrescentou. 

A perspectiva de Carlos Soares, da Magliano, é de retomada nos volumes de vendas das siderúrgicas, por causa da melhora da atividade industrial, principalmente nos setores automotivo e de linha branca. Ele ponderou, contudo, os riscos referentes às medidas protecionistas nos Estados Unidos. A depender da decisão final do governo americano, a política do presidente Donald Trump pode ter efeito sobre a oferta de aço, com reflexo nos preços.

 

 

 

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