Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Dólar fecha a R$ 3,33 após derrota do governo com reforma trabalhista

Bolsa recua 2% e chega a 60.766,15 pontos com aumento do temor dos investidores

Simone Cavalcanti, O Estado de S.Paulo

20 Junho 2017 | 15h26

O dólar fechou o dia cotado a R$ 3,33, uma alta de mais de 1% frente ao real, e a Bovespa, que já havia começado o dia em queda, intensificou o ritmo e acumulou um recuou de 2,01% ao final do pregão, aos 60.766,15 pontos. O principal motivador para esses resultados foi a rejeição do texto principal da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado. Os investidores reagiram mal ao que pode ser traduzido como uma derrota do governo no Senado.

Com o resultado de hoje, o Ibovespa atingiu seu menor nível desde 2 de janeiro (59.588,70 pontos). Passa, assim, a acumular queda de 3,10% em junho e alta de 0,90% em 2017. 

No câmbio, também pesou contra o real a aversão ao risco no exterior diante da queda do petróleo, fato que penaliza as moedas de países emergentes e com economisa depentendes do ciclo de commodities.

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Em sua segunda etapa no Senado, a reforma trabalhista foi rejeitada pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) por 10 votos a 9, em uma derrota inesperada para o governo.

O relator da reforma trabalhista no Senado, Ricardo Ferraço (PSBD-ES), avaliou a votação, mesmo que não definitiva, é como uma derrota para o governo. Ele considerou que o resultado é "mais político do que regimental" e pode enfraquecer o apoio à proposta no plenário da Casa. "Na prática, o resultado de hoje significa que o governo não conseguiu articular os senadores para poder aprovar a matéria na CAS. Não muda a tramitação, mas evidentemente é uma derrota política do governo", disse o relator.

Segundo o analista da corretora Nova Futura Leandro Martins, a queda da Bolsa e o aumento do dólar marcam uma movimento de fulga de capital de investidores no dia. "Normalmente, o mercado reage pontualmente a uma notícia inesperada como essa, mas depois se acomoda em um patamar melhor. Hoje não vimos essa acomodação, o que significa que aqueles que saíram não voltaram", disse.

Nova prova. Nesta quarta-feira, 21, o texto será apreciado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A previsão é que seja votado em plenário na próxima semana, no dia 28.

'Derrota na CAS significa que governo não conseguiu articular senadores', diz relator

Com a rejeição do parecer do relator, o senador Ricardo Ferraço, os senadores acataram o voto em separado de Paulo Paim (PT-RS). 

Ambos os documentos serão analisados na CCJ, que pode anexar um terceiro texto ao projeto antes que ele seja analisado no plenário do Senado.

Em Moscou. Durante viagem à Rússia, o presidente Michel Temer tentou minimizar o resultado na CAS. Ele mostrou confiança na aprovação das mudanças na CLT e afirmou que a vitória do governo "é certíssima".

 

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