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Crise no grupo Espírito Santo afeta ações da Oi no País

DANIELLE CHAVES - Agência Estado

01 Julho 2014 | 17h 29

A crise na holding Espírito Santo International (ESI) ganhou um novo capítulo nesta terça-feira, 1, depois de a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) de Portugal suspender por um dia as vendas a descoberto de ações do Banco Espírito Santo (BES). A turbulência passou a afetar também as ações da brasileira Oi, que está em processo de fusão com a Portugal Telecom, que, por sua vez, tem como acionista o BES.

A suspensão das vendas a descoberto foi anunciada nesta segunda-feira, 30, mesmo dia em que a diretoria do BES realizou uma teleconferência com analistas para explicar as questões que têm sido levantadas sobre a situação financeira do banco e de seus controladores. No entanto, de acordo com informações do português Jornal de Negócios, analistas disseram que não houve espaço para perguntas e que os executivos do BES apenas fizeram declarações sem trazer novidades.

A ordem da CMVM e a frustração com a teleconferência derrubaram as ações do BES, que chegaram a cair mais de 7% na Bolsa de Lisboa durante a sessão desta terça-feira, e ampliaram as preocupações com o grupo liderado pela família Espírito Santo. A situação é tal que em meados de junho o executivo-chefe do BES, Ricardo Salgado, renunciou ao cargo, levando o banco a ser dirigido por uma pessoa de fora da família pela primeira vez em sua história.

Salgado e a família Espírito Santo foram envolvidos em diversos escândalos em Portugal nos últimos meses, que, segundo a imprensa portuguesa, incluem o desaparecimento de cerca de 5 bilhões de euros do BES Angola e irregularidades na declaração de rendimentos do executivo. Além disso, em dezembro do ano passado o Wall Street Journal publicou que o Espírito Santo International estava vendendo dívida para um fundo de investimento pertencente ao Espírito Santo Financial Group. Apesar de legal, a manobra apresentava riscos elevados para os investidores.

Em maio, um documento regulatório publicado pelo BES informou que uma auditoria externa realizada pelo Banco Central de Portugal em 2013 nos resultados do Espírito Santo International apontou uma série de problemas contábeis. A consultoria KPMG, que realizou a auditoria, identificou irregularidades nas contas e concluiu que o Espírito Santo International estava em uma "grave condição financeira". O Espírito Santo International está sendo investigado em Portugal e em Luxemburgo, onde tem sede.

Desde então, as preocupações com a situação do grupo vêm crescendo e se espalhando para outras empresas. Na semana passada a Portugal Telecom revelou que possui 897 milhões de euros em commercial papers da Rioforte, uma unidade do Espírito Santo International, e que a maior parte da dívida vai vencer em 15 de julho.

Em reportagem, o jornal português Expresso afirmou que os funcionários da Portugal Telecom pediram uma reunião urgente com a diretoria da empresa para exigir explicações sobre o investimento na Rioforte. "Gostaríamos de saber porque não há dinheiro para aumentar os salários dos trabalhadores e se fala em corte de custos, mas há 900 milhões de euros para investir em dívida de uma sociedade controlada pelo maior acionista da PT, que, como se não bastasse, é uma empresa que dá prejuízo", disse ao Expresso um integrante da Comissão de Trabalhadores da Portugal Telecom.

Hoje dois representantes da Oi renunciaram a suas vagas no conselho da Portugal Telecom - Fernando Magalhães Portella e Otávio Marques de Azevedo. Segundo o site português Económico, analistas interpretaram as renúncias como sinal de desconforto em relação ao investimento que a operadora portuguesa fez na Rioforte. As ações da Oi fecharam em queda de 7,18%.