Paulo Vitor/Estadão
Paulo Vitor/Estadão

Dólar cai pelo 2º dia com atuação do Banco Central no mercado

Moeda norte-americana recuou para R$ 3,969 com ação conjunta do BC e do Tesouro para reduzir a volatilidade

Paula Dias, O Estado de S. Paulo

25 Setembro 2015 | 09h30

Texto atualizado às 17h32

SÃO PAULO - A ação firme do Banco Central foi fundamental para levar o dólar à vista à sua segunda queda consecutiva nesta sexta-feira, de volta ao patamar inferior aos R$ 4. Depois de três leilões promovidos pelo BC, no período da manhã, a moeda norte-americana fechou em queda de 1,90%, cotada a R$ 3,969. 

A ofensiva do BC contra a escalada do dólar ganhou força na quinta-feira, com um discurso inesperado do presidente da instituição, Alexandre Tombini, que tratou de afastar as especulações que vinham causando pânico nos mercados. Na sequência, os anúncios de leilões do BC e do Tesouro consolidaram a tendência de baixa verificada nos mercados desde a tarde de ontem.

O Banco Central vendeu US$ 2 bilhões em dois leilões extraordinários de swap cambial e também ofertou US$ 1 bilhão em empréstimos de linha (venda com recompra programada) pela manhã. As operações foram suficientes para derrubar o dólar à vista, mas não o contrato futuro de câmbio, que já havia antecipado esse movimento na véspera, diante do anúncio das intervenções. No mercado futuro de câmbio, o dólar para liquidação em outubro subia 0,82% às 16h54, a R$ 3,978. 

A ação coordenada do BC e do Tesouro foi bem recebida no mercado, por ser interpretada como uma mensagem de que a autoridade monetária tem munição suficiente para conter movimentos especulativos de mercado e que não está disposta a deixar dólar avançar de maneira irracional. Apesar da aprovação às intervenções, é consenso no mercado que essas ações são instrumentos paliativos, que buscam conter os ânimos enquanto o governo busca recuperar o controle no campo político, para poder avançar no ajuste fiscal.

Bolsa. Os investidores não demonstraram apetite pelo mercado de ações nesta sexta-feira e a Bovespa fechou em queda de 1,02%, aos 44.831,46 pontos. Em um dia de menor tensão nos mercados de câmbio e juros e melhora do humor no mercado internacional, a cautela com o cenário interno prevaleceu na renda variável brasileira. Além disso, algumas ações tiveram motivos particulares para cair, contribuindo para as perdas do Ibovespa.

Entes as ações que compõem o índice, Petrobrás, Vale, Pão de Açúcar e bancos estiveram entre os destaques de baixa. Os papéis da Petrobrás reagiram à revisão para baixo feita pelo Bank of America Merril Lynch das estimativas para investimentos e resultados. Outra notícia de impacto foi a do processo movido pela Fundação Bill & Melinda Gates, maior instituição filantrópica do mundo, contra a Petrobras em Nova York, para recuperar perdas com investimentos feitos desde 2009 em papéis da empresa brasileira. Petrobrás PN fechou em queda de 2,01% e Petrobras ON, de 2,65%.

Mais conteúdo sobre:
economia dólar câmbio

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.