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Dólar cai 0,84% e fecha a R$ 1,652, menor cotação desde setembro de 2008

Cristina Canas, da Agência Estado

13 Outubro 2010 | 16h 35

Moeda norte-americana teve dia de queda global após sinalização do Fed de que haverá mais injeção de liquidez no mercado

O dólar comercial fechou o dia em baixa de 0,84%, negociado a R$ 1,652 no mercado interbancário de câmbio. No pregão de segunda-feira, a moeda norte-americana havia fechado em queda de 0,12%, cotada a R$ 1,666. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o dólar com liquidação à vista fechou em queda de 0,66%, a R$ 1,655.

Enquanto a ata da reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), divulgada ontem, corroborava as apostas do mercado de que novas medidas de afrouxamento monetário serão tomadas, o dólar cedia para os menores níveis em muitos anos diante do iene e do franco suíço. No Brasil, os negócios estavam parados em função do feriado de Nossa Senhora Aparecida. Hoje, o movimento é mais ameno no exterior, enquanto os investidores do mercado brasileiro de câmbio devem tirar o atraso, negociando a moeda norte-americana em baixa.

O principal fator que pode minimizar a queda é a percepção de que o governo brasileiro lançará mão de novas medidas cambiais para evitar a apreciação do real, se for necessário. Mas é bom ressaltar que o mercado entende que outras mudanças só ocorrerão depois que o governo avaliar o impacto efetivo daquilo que já foi feito: a alta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a ampliação do prazo para adiantamento de contratos de câmbio.

Foi exatamente isso o que disse ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em um momento de sintonia com o mercado financeiro. Mantega lembrou que, no ano passado, o governo reintroduziu a alíquota de 2% do IOF sobre capital externo e obteve resultados positivos. "Agora nós fizemos essa medida ainda no período de capitalização da Petrobrás. Esperei na verdade também o primeiro turno das eleições para não trazer nenhuma interferência", afirmou.

O ministro admitiu ainda que "continua havendo alguma valorização do real, só não sabemos se é efeito da desvalorização do dólar (no mundo) ou do ingresso de recursos estrangeiros que continua". Mantega afirmou que não se sabe quanto o real teria valorizado sem as medidas. "Temos de esperar mais tempo para ver a eficácia", explicou a investidores estrangeiros, durante evento no Council of Americas, promovido em parceria com a Câmara de Comércio Brasil-EUA, em Nova York.

No exterior, a avaliação de que boa parte de um eventual aumento de liquidez por parte do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) foi antecipada pode amenizar a queda do dólar no Brasil. Um terceiro fator de atenção é a própria guerra cambial. As ações para evitar a valorização generalizada das moedas diante do dólar, principalmente nos países emergentes, se espalha ao redor do mundo.

Ontem foi a Tailândia que decidiu taxar em 15% os ganhos obtidos pelos investimentos estrangeiros em dívida soberana, para conter sua moeda. Coreia e Indonésia também já adotaram medidas para conter a entrada de recursos. Além disso, desde que o Japão interveio no iene, os mais diversos bancos centrais têm aumentando suas presenças no mercado de câmbio.  

(Texto atualizado às 16h40)

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