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Dólar cai com exterior melhor e venda de moeda pelo BC

Com a intervenção do BC, queda da moeda foi considerada positiva, apesar de pontual; dólar fechou cotado a R$ 3,81 após seis sessões consecutivas de alta  

Fabrício de Castro, O Estado de S. Paulo

08 Setembro 2015 | 11h07

(Atualização às 22h)

Após seis sessões consecutivas de ganhos, o dólar fechou em baixa ante o real nesta terça-feira, 8. Investidores aproveitaram o dia para realizar parte dos lucros recentes, vendendo moeda, em reação à queda da divisa americana também no exterior e à intervenção do Banco Central (BC) no câmbio, por meio de dois leilões chamados de linha (venda de dólares com compromisso de recompra).

Estes fatores fizeram o dólar à vista chegar à faixa dos R$ 3,78, mas a percepção ruim em relação ao Brasil manteve a pressão e, no fim, a moeda foi cotada em R$ 3,8180 no balcão, uma queda de 0,83%. 

Na sexta-feira, após forte aceleração do dólar durante a tarde, com investidores em busca da proteção da moeda antes do feriado prolongado no Brasil e nos EUA, o Banco Central havia anunciado para esta terça-feira dois leilões de linha. O montante total ofertado era de US$ 3 bilhões, com recompra em novembro e dezembro.

Mercado. O anúncio do BC foi bem-recebido por profissionais ouvidos pelo Broadcast, que viram a intervenção como um aviso de que a instituição não deixará as cotações à deriva. Na prática, o Banco Central buscou acalmar o mercado e frear a forte valorização do dólar, que em seis dias havia disparado 8,06%.

A estratégia funcionou em um primeiro momento. Como o dólar também recuava ante várias divisas de países emergentes no exterior, a moeda no Brasil engatou uma trajetória de firme baixa no início da terça-feira. Se em dias anteriores o dólar subia no Brasil mesmo quando estava em queda no exterior, nesta terça-feira os leilões de linha colocaram o movimento mais em linha com o exterior. Na mínima verificada às 9h39, o dólar à vista marcou R$ 3,7810 (-1,79%).

“O mercado na sexta-feira extrapolou um pouco a alta (do dólar) em função do feriado. Havia uma preocupação com os protestos e com o que poderia ocorrer no fim de semana”, comentou um profissional. Segundo ele, com os leilões de linha e o recuo do dólar também no exterior, em meio à expectativa de que a China possa anunciar mais estímulos à sua economia, abriu-se espaço para ajustes em baixa para a divisa.

Só que, depois de oscilar na faixa dos R$ 3,78 no balcão, as cotações começaram a se recuperar. E isso ocorreu porque a percepção em relação ao Brasil continua ruim. “O dólar para outubro deveria estar na faixa dos R$ 3,80, considerando todo o cenário que temos, com leilões de US$ 3 bilhões e queda firme da moeda no exterior. Mas a moeda não cai tanto, porque basta alguma autoridade abrir a boca em Brasília para a cotação começar a subir de novo”, avaliou outro profissional.

À tarde, o efeito dos leilões de linha e da queda no exterior arrefeceu ainda mais. O dólar à vista chegou a marcar a máxima de R$ 3,82 (-0,78%) às 15h42, justamente quando as operações do BC estavam em andamento. “O fato é que os investidores continuam cautelosos. O mercado pode voltar a especular e buscar os R$ 4,00”, disse José Carlos Amado, operador da Spinelli Corretora.

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