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BC admite que pode usar reservas e dólar cai de R$ 4,24 para R$ 4,04

Após bater novo recorde histórico de R$ 4,24 na abertura dos negócios, declarações de dirigentes do Banco Central reduziram o apetite dos investidores pela moeda estrangeira

PAULA DIAS, O Estado de S. Paulo

24 Setembro 2015 | 09h25

Atualizado às 17h08

Em um dia marcado por variações extremas, o dólar à vista fechou em baixa de 2,15%, cotado a R$ 4,046, perto da mínima do dia. Esta foi a primeira queda da cotação depois de cinco sessões consecutivas de alta da moeda norte-americana, que nesta semana superou a marca histórica de R$ 4. O mercado futuro de juros também terminou a sessão com as taxas em baixa, após variações intensas no decorrer do dia.

Os mercados de câmbio e juros tiveram dois momentos completamente distintos nesta quinta-feira. Pela manhã, o mercado cedeu à aversão ao risco e levou o dólar à máxima de R$ 4,248 (+2,73), em meio ao pânico nas mesas de operações. Nos negócios com juros futuros na BM&FBovespa, as taxas dispararam e alguns vencimentos dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) atingiram o limite máximo de oscilação, tendo as negociações interrompidas.

O movimento de alta teve forte componente especulativo, uma vez que os investidores repercutiam a aparente ineficácia das medidas do Banco Central e do Tesouro Nacional para conter o avanço do dólar e dos juros em meio às crises política e econômica. O movimento de virada começou ainda pela manhã, a partir de declarações do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, durante a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação do BC.

Tombini sinalizou que não haverá aumento da Selic por um período prolongado e garantiu que BC e Tesouro têm instrumentos adequados para conter as turbulências dos mercados. A fala de Tombini afastou as especulações de que a autoridade monetária poderia promover um choque de juros, o que teve impacto positivo no mercado de taxas. Também afastou os comentários de que o BC não estaria disposto a usar as reservas cambiais vendendo dólares no mercado à vista para conter o avanço das cotações - outro fator de tensão no mercado.

Dólar e juros perderam força imediatamente às declarações de Tombini, reforçadas mais adiante pelo diretor de Política Econômica do BC, Luiz Awazu Pereira. A reação não foi maior devido aos ruídos no cenário político, com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), voltando a defender a não participação do PMDB no governo. A presidente Dilma Rousseff, que anunciaria hoje a reforma ministerial, adiou a medida para a próxima semana, justamente devido às dificuldades com os partidos da base, especialmente o PMDB de Cunha.

A inversão de tendência foi definida no início da tarde - com dólar e juros em queda - e foi consolidada com o anúncio da realização de leilões diários de compra e venda de títulos pelo Tesouro.

A instituição adotará, entre 25 de setembro e 2 de outubro, um programa diário de venda e compra de NTN-F. Adicionalmente, será realizado leilão de venda de LFT com vencimento em 1º de setembro. De acordo com o Tesouro, o objetivo do programa é fornecer suporte e liquidez ao mercado de títulos públicos.

Na prática, a iniciativa do Tesouro busca reduzir a pressão no mercado de juros que, por sua vez, vinha afetando também as cotações do dólar. O anúncio dos leilões aprofundou a queda das taxas, que mergulharam, levando a um novo travamento dos negócios - desta vez na ponta contrária à observada pela manhã.

Todos os principais vencimentos de DI a partir de janeiro de 2017 terminaram o call de fechamento no limite de oscilação, com queda de 80 pontos-base. O juro para janeiro de 2017 terminou na mínima de 15,67%, de 16,47% no ajuste anterior e de 17,27% na máxima intraday. O DI para janeiro de 2018 acabou em 16,05%, de 15,85% ontem e depois de tocar no limite máximo, pela manhã, de 17,65%. A taxa para janeiro de 2019 ficou na mínima de 16,12%, ante 16,92% no ajuste da véspera e de 16,72% mais cedo.

Bovespa. A Bovespa trabalhou parte da tarde em alta, mas não conseguiu escapar de terminar no vermelho pelo quinto pregão consecutivo. O recuo, entretanto, foi bem mais tímido do que o visto no pior momento do dia, ainda nos primeiros minutos de negociação. A fala do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, a atuação do Tesouro Nacional e a melhora de Nova York favoreceram a recuperação doméstica.

O Ibovespa terminou o dia em baixa de 0,11%, aos 45.291,96 pontos. Na mínima, marcou 44.183 pontos (-2,55%) e, na máxima, atingiu 45.572 pontos (+0,51%). No mês, acumula perda de 2,86% e, no ano, de 9,43%. O giro financeiro totalizou R$ 7,534 bilhões. 

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