Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Dólar sobe 0,68% e atinge maior valor do ano, aos R$ 3,30; Bolsa tem alta de 0,30%

Moeda apresentou alta refletindo a possibilidade de um aumento de juros mais forte nos EUA; alta na Bolsa encerrou série de cinco pregões seguidos de queda

Paula Dias, O Estado de S.Paulo

20 Março 2018 | 18h49

 O dólar superou o teto dos R$ 3,30 no pregão desta terça-feira, 20, e atingiu seu maior valor em 2018, com os mercados focados na primeira reunião de política monetária do Federal Reserve sob o comando de Jerome Powell. A moeda norte-americana valorizou-se ante divisas fortes e emergentes, refletindo a possibilidade de um aumento de juros mais forte nos Estados Unidos, com potencial para influenciar ativos em todo o mundo.

Embora em segundo plano, também contribuíram para um comportamento mais cauteloso por parte do investidor o temor de uma guerra comercial e a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) para nova análise da possibilidade de prisão após condenação em segunda instância.

No mercado à vista, o dólar fechou cotado a R$ 3,30, em alta de 0,68%. É o maior valor da moeda americana desde 28 de dezembro - última sessão de negócios de 2017 -, quando a cotação terminou em R$ 3,3155. "A grande ansiedade do mercado é saber se o Federal Reserve de Jerome Powell manterá o tom gradualista que marcou a gestão de Janet Yellen. E nessas reuniões em que há manifestação do presidente do Fed, as atenções se redobram, porque tudo o que for dito terá grande importância. Até mesmo uma má colocação pode gerar fortes movimentos nos mercados", disse Alessandro Faganello, operador da corretora Advanced.

Um aumento de 0,25 ponto porcentual nas taxas dos fed funds já é dado como certo, mas investidores estarão atentos à fala de Jerome Powell após a divulgação da decisão de política monetária e ao gráfico de pontos, que mostra as projeções para os juros de cada um dos integrantes do comitê de política monetária (FOMC) para o final do ano. A partir dessas sinalizações, espera-se um cenário mais claro quanto ao número de aumentos de juros nos EUA neste ano.

Bolsa.  A um dia das decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil, o mercado acionário doméstico operou sob o signo na cautela, rondando a estabilidade, e encerrando a sessão de negócios com giro financeiro de R$ 8,14 bilhões - abaixo da média de R$ 11 bilhões registrada durante o mês de março. Mesmo subindo apenas 0,30% o Ibovespa teve a mínima força para manter os 84.163,79 pontos. A valorização encerrou cinco pregões seguidos de queda.

"O volume fraco já indica o sentimento acautelado dos investidores em relação às decisões de amanhã", ressaltou Ariovaldo dos Santos, gerente da mesa de renda variável da H.Commcor, para quem, se houver surpresa e o Federal Reserve (Fed) não elevar a taxa de juros, pode levar a um novo impulso para a Bolsa brasileira. Nesta quarta-feira também o Comitê de Política Monetária (Copom) pode decidir por mais um recuo da taxa Selic. 

Diante do noticiário fraco tanto no Brasil como no exterior, os investidores optaram pelo compasso de espera. Nesse contexto, a leve alta foi ajudada pelas ações de mais peso na carteira teórica e ligadas às commodities. As ações da Petrobras acompanharam a valorização de mais de 2% dos contratos futuros do petróleo no mercado internacional, que subiram forte com perspectivas com a divulgação de dados nos EUA mostrando queda nos estoques de óleo bruto. Também pela percepção entre investidores de que novas tensões geopolíticas envolvendo nações da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) têm potencial para reduzir a oferta global da commodity. 

Sobre a ação protecionista do presidente Donald Trump com a sobretaxa do aço, o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, afirmou hoje que as conversas sobre possíveis isenções à tarifação de aço e alumínio importados pelo país estão "progredindo" e ressaltou que o governo Trump não está preocupado com uma guerra comercial. Em evento durante a cúpula do G-20 Mnuchin disse que as tarifas a serem impostas pelos EUA "não são uma questão de protecionismo. Trata-se de reciprocidade". As declarações foram feitas antes do encontro com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

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