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Dólar dispara 2,56% e fecha a R$ 3,85, maior valor em quase 13 anos

Tensão política e aposta de alta dos juros nos Estados Unidos pesaram sobre a cotação da moeda norte-americana; investidores também buscaram proteção antes do feriado

Fabrício de Castro, O Estado de S. Paulo

04 Setembro 2015 | 10h38

Atualizado às 17h15

O dólar voltou a disparar hoje ante o real, em meio ao ambiente de tensão política no Brasil. O firme avanço da moeda americana no exterior também contribuiu para o movimento, após a divulgação de números que ampliaram as apostas de alta de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano). A demanda por dólares foi ainda intensificada pela busca de proteção antes dos feriados no Brasil e nos EUA, na segunda-feira. A moeda subiu 2,56%, aos R$ 3,85, no maior patamar de fechamento em quase 13 anos, desde 23 de outubro de 2002. Foi a sexta sessão consecutiva de ganhos para o dólar ante o real (+8,06% no período). No ano, a moeda americana já acumula alta de 45,01%. 

Desde cedo, a pressão de alta para o dólar era forte. Isso porque, a despeito de certo alívio com a permanência de Joaquim Levy no comando do Ministério da Fazenda, o vice-presidente Michel Temer voltou a colocar lenha na fogueira do cenário político. Em encontro com empresários, ele afirmou que será difícil para a presidente Dilma Rousseff concluir o mandato se a situação política e econômica não melhorar até meados de 2016. "Hoje o índice (de popularidade) é realmente muito baixo. Ninguém vai resistir três anos e meio com esse índice", comentou. A fala de Temer foi mal recebida pelo mercado, que viu chances maiores de impeachment da presidente Dilma Rousseff.          

No exterior, os números do payroll (relatório de emprego dos EUA) elevaram a busca por dólares ao redor do mundo. O país criou 173 mil empregos em agosto, abaixo da previsão de 220 mil vagas, mas os saldos de julho e junho foram revisados em alta - de 215 mil para 245 mil e de 223 mil para 245 mil, respectivamente. Na visão do mercado, a melhora do setor permitirá uma alta de juros nos EUA em um futuro próximo, talvez já em setembro, o que é ruim para moedas de países emergentes. 

Na mínima do dia, às 9h31, o dólar bateu nos R$ 3,7600 (+0,16%), para depois escolar patamares bem mais elevados ao longo do dia. À tarde, inclusive, houve uma demanda defensiva de moeda, com a proximidade do fim de semana prolongado. Segunda-feira será feriado do Dia da Independência no Brasil e do Dia do Trabalho nos EUA e, para completar, os mercado chineses reabrem após o feriado de ontem e hoje. 

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