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Dólar sobe pelo quarto dia seguido e fecha cotado a R$ 3,75

Mercado segue apreensivo com previsão de déficit no Orçamento de 2016, que expôs mais uma derrota do ministro Joaquim Levy

Cláudia Violante, O Estado de S. Paulo

02 Setembro 2015 | 12h26

Atualizado às 17h23

SÃO PAULO - A pressão sobre o dólar não dá trégua e a moeda teve nesta quarta-feira, 2, um novo salto, de R$ 0,06, subindo, em duas sessões, R$ 0,12. A busca por proteção segue firme, já que a percepção ruim sobre o Brasil se renova a cada nova manchete do noticiário. O mercado segue apreensivo principalmente com o Orçamento de 2016, com destaque para o déficit que o governo incluiu nas contas. 

O dólar comercial terminou a sessão em alta de 1,68%, a R$ 3,7530, maior valor desde 12 de dezembro de 2002 (R$ 3,7850), nível já atingido na sessão de terça-feira. Na mínima, marcou R$ 3,6940 e, na máxima, R$ 3,7720. No mês, sobe 3,30% e, no ano, 41,36%. 

Os investidores não gostaram da previsão de déficit incluída no Orçamento de 2016. Ainda mais porque o número também expôs mais uma derrota do ministro Joaquim Levy, que queria que a peça orçamentária levasse uma estimativa de superávit. Hoje, a presidente Dilma Rousseff defendeu o ministro e negou que ele estivesse enfraquecido. 

Segundo Dilma, "o ministro Levy não está desgastado dentro do governo". "Ele participou conosco de todas as etapas da construção desse orçamento. Ele tem o respeito de todos nós. Não contribui para o País esse tipo de fala de que o ministro Levy está desgastado, que ministro 'A' briga com ministro 'B'. Ele não está desgastado". E insistiu: "O ministro Levy não está desgastado. Ele não está isolado. De mim, ele não está".

Só que a presidente também defendeu na mesma fala o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, que tem tido mais sucesso em emplacar suas posições. Segundo ela, em toda a família existem opiniões divergentes, e isso "não significa que a família está desunida". "A partir do momento que temos uma posição, a posição é de todos nós". 

Em meio a esse quadro político delicado, o dólar até chegou a perder força durante a sessão, com muitos investidores aproveitando as cotações elevadas para vender moeda. Mas o movimento não perdurou. Nos Estados Unidos, o dólar opera sem uniformidade ante outras moedas, depois que dados mais fracos sobre a economia do país reforçaram a percepção de que pode haver um adiamento do início do aperto monetário.

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