Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Dólar tem forte alta de 1,43% e fecha a R$ 3,60 após quase dois anos

Após cair 1,35% no pregão da quinta-feira, dólar volta a subir e fecha no patamar de R$ 3,60; valorização da moeda é de 6,33% em um mês

Ana Paula Ragazzi e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2018 | 17h38

A cautela deu o tom do pregão desta sexta-feira, em que o dólar à vista fechou acima de R$ 3,60 pela primeira vez em quase dois anos. Um dos motivos é a expectativa em relação à pesquisa de intenção de voto da CNT/MDA sobre a eleição presidencial, prevista para segunda-feira, 14. Havia especulações de que este levantamento deverá mostrar migração de intenções de votos do ex-ministro do STF Joaquim Barbosa (PSB), que desistiu de concorrer, para o pré-candidato pelo PDT, Ciro Gomes, que é visto como desalinhado com as propostas do mercado. Assim, a moeda americana renovou as máximas na reta final do pregão, chegando a bater os R$ 3,61. Na semana, acumulou alta de 2,14%. Já a Bolsa, após três dias de alta, teve queda de 0,75%, aos  85.220,23 pontos.

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O alívio no câmbio durou pouco e o dólar voltou a subir nesta sexta-feira, 11. A moeda americana fechou em alta de 1,43%, cotada a R$ 3,6002, maior patamar desde 31 de maio de 2016. Naquele pregão de dois anos atrás, os mercados domésticos estressaram com a noticia de que a Polícia Federal indiciara o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, e dois executivos do banco no inquérito da Operação Zelotes, que investiga compra de decisões no Carf.

Pela manhã houve bastante especulação no mercado com a pesquisa de intenção de voto para as eleições presidenciais da CNT/MDA, que deverá ser divulgada na segunda-feira. A conversa era de que após a desistência de Joaquim Barbosa, todos os votos que seriam para ele migrariam para Ciro Gomes, pré-candidato totalmente desalinhado com o que pensa o mercado. Alessandro Faganello, operador da Advanced Corretora, atribuiu a análise a "pura especulação" diante da dificuldade de fazer uma avaliação como essa. Para Faganello, a única notícia hoje que poderia indicar alguma apreciação no câmbio foi divulgada pela manhã: o índice de sentimento do consumidor dos Estados Unidos elaborado pela Universidade de Michigan ficou estável em 98,8 em maio, na preliminar do dado. Analistas ouvidos pelo Wall Street Journal previam 98,0. "Esse dado corrobora a avaliação de quem enxerga aquecimento na economia americana, pois é visto como um sinalizador mais forte para o consumo", diz.

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À tarde não houve notícias com impacto para formar preços no câmbio. O mercado voltou a falar em maior procura por hedge e também nas dúvidas sobre até onde vai o patamar do dólar em relação ao real que deixa o Banco Central do Brasil "confortável" com a valorização e seus impactos na inflação. A expectativa do mercado é para novo corte da Selic semana que vem, mas cresce a percepção que o BC trabalha cada vez mais com sinalizações ambíguas. O enfraquecimento da atividade sustenta a redução das taxas; mas a apreciação do dólar preocupa. Conforme pesquisa do AE dados da Agência Estado, a mediana das expectativas do câmbio para fim de maio subiu 4,13%, para R$ 3,53. Para o fim do segundo trimestre, a mediana foi de R$ 3,54.

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Em entrevista ao Broadcast, o economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, afirmou que as notícias negativas sobre a Argentina podem fazer com que investidores estrangeiros retirem recursos alocados em emergentes. "Isso nos afeta de forma indireta. Não é que o sujeito vai tirar dinheiro no Brasil porque a Argentina está com problemas. Todas classe de ativos de emergentes sofre quando você tem esse tipo de noticiário", disse o economista do Itaú. A pressão sobre o peso, o real e outras moedas de emergentes deve continuar pela frente, avalia o economista. Hoje o Itaú Unibanco revisou seu cenário para a economia brasileira e aumentou a projeção para o dólar, de R$ 3,25 para R$ 3,50. Esta tarde o dólar se aproximou da marca de 24 pesos argentinos e o Banco Central da República da Argentina (BCRA) teve de intervir mais uma vez no câmbio Na mídia argentina, fala-se que a dimensão da investida do BCRA foi de entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,6 bilhão.

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Bolsa.  Depois de três altas consecutivas, o Índice Bovespa cedeu hoje a um movimento de realização de lucros moderado e terminou o dia em baixa de 0,75%, aos 85.220,23 pontos. Mesmo com o resultado de hoje, o índice encerrou a semana com ganho acumulado de 2,53%. Os negócios do dia somaram R$ 13,08 bilhões.

Ao longo das últimas sessões, boa parte da alta acumulada veio de ações do setor de commodities, lideradas pelos papéis da Petrobras, que na terça-feira divulgou balanço trimestral com resultados considerados bastante positivos. Além disso, os preços do petróleo avançaram para os maiores valores em três anos e meio nos mercados futuros de Londres e Nova York. Os papéis da petroleira também foram alvo das operações de realização de lucros hoje, que levaram Petro PN a terminar o dia em queda de 1,20%, enquanto Petro ON avançou 0,38%. A queda dos preços do petróleo favoreceram a correção, principalmente à tarde, quando a moeda renovou mínimas. No acumulado da semana, a ação ordinária da estatal disparou 21,18% e a preferencial ganhou 14,23%.

Na ponta contrária estiveram as ações do setor financeiro, bloco de maior peso na composição da carteira teórica do Ibovespa e, por isso, em boa medida responsáveis pelo viés negativo do Ibovespa no dia. As explicações para a virada dos papéis para o negativo foram diversas ao longo do dia, levando em conta questões como a proximidade de um provável novo corte de juros e o próprio desinteresse de investidores estrangeiros diante do cenário econômico doméstico, que não deve apresentar novidades após a reunião do Copom.

O noticiário corporativo também influenciou os negócios no dia, tendo destaques positivos e negativos. Natura ON, por exemplo, subiu 15,56% e liderou as altas do Ibovespa, refletindo a divulgação de seu balanço trimestral, que mostrou números acima do previsto e gerou mudanças na recomendação de bancos. Na ponta contrária esteve Kroton ON, maior queda da carteira teórica do índice (-15,21%). Os números trimestrais ficaram dentro do esperado, mas alguns aspectos do balanço geraram desconforto, como a queda das margens acima do projetado.

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