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Dólar recua pelo 3º dia e vai a R$ 3,61 com cenário político

Intenso noticiário em torno do ex-presidente Lula determinou a queda do dólar, a exemplo dos últimos dias; moeda acumula queda de 9,5% no mês de março

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Paula Dias, Karla Spotorno,
O Estado de S.Paulo

10 Março 2016 | 11h42
Atualizado 10 Março 2016 | 19h34

O dólar teve nesta quinta-feira, 10, sua terceira queda consecutiva nesta quinta-feira, influenciado essencialmente pelo conturbado cenário político. A moeda norte-americana fechou cotada a R$ 3,6187, com queda de 2,17%. Nas últimas oito sessões de negócios, o dólar caiu em sete. E em praticamente todas elas o cenário político exerceu influência sobre as cotações. A queda acumulada do dólar no mês de março chega a 9,5%.

A quinta-feira foi de intenso noticiário em torno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi denunciado pelo Ministério Público Federal de São Paulo por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, no caso do tríplex do Guarujá. A mulher de Lula, Marisa Letícia, o filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, mais 13 investigados também foram denunciados.

A queda das cotações ganhou fôlego expressivo à tarde, com a entrevista coletiva do promotor Cássio Conserino, um dos responsáveis pela denúncia. Embora o promotor tenha se recusado a comentar durante o evento com jornalistas, a denúncia pede a prisão preventiva de Lula, do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, e de outros dois investigados do caso Bancoop. A divulgação dessa informação levou o dólar à mínima de R$ 3,6145 (-2,29%) e fez a Bovespa subir até 2,69%.

O dólar chegou a subir pontualmente pela manhã, mas perdeu o fôlego altista com a percepção de que a crise política tem se agravado cada vez mais nos últimos dias, aumentando as chances de um impeachment ou afastamento da presidente Dilma Rousseff. Também contribuíram os estímulos econômicos anunciados pelo Banco Central Europeu (BCE), que fortaleceram o euro frente ao dólar. 

A euforia do mercado externo perdeu fôlego à tarde com a aceleração da queda dos preços do petróleo e com declarações do presidente do BCE, Mario Draghi, descartando novos cortes de juros na região do euro. O cenário político doméstico, no entanto, foi responsável pela forte desvalorização da moeda frente ao real. 

Bolsa. O pedido de prisão do ex-presidente Lula também teve reflexos na Bolsa. O desempenho do Ibovespa passou por uma reviravolta na última hora de pregão e fechou em firme alta de 1,86% aos 49.571,11 pontos. Na máxima da sessão, às 17h22, o Ibovespa bateu os 49.974 pontos em alta de 2,69%. Na mínima, por volta das 14h40, chegou aos 47.922 pontos em queda de 1,53%. 

Na maior parte da tarde, o Ibovespa exibia o sinal negativo num movimento de realização de lucros, segundo um operador e o analista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger. A virada para o positivo aconteceu depois de a entrevista coletiva dos promotores do MP-SP ter começado. A renovação frenética de máximas, entretanto, aconteceu somente depois de circular entre as mesas de operação que os promotores haviam pedido a prisão preventiva de Lula. Naquele momento, as ações pararam de mirar o exterior - onde o petróleo fechou em queda, assim como as bolsas na Europa e os índices Dow Jones e Nasdaq, em Nova York - para digerir apenas o noticiário doméstico.

Depois da notícia sobre a prisão, como observou um operador de renda variável, os papéis da Petrobrás também trocaram o sinal negativo para o positivo. As ONs fecharam em alta de 2,62%, e as PNs +4,61%. 

A alta das ações de grandes bancos acelerou fortemente também no mesmo momento. Com isso, a PN de Itaú Unibanco fechou em alta de 3,92%. A PN de Bradesco, em + 2,99%. A ON do Banco do Brasil foi que registrou a maior alta entre os bancos. Subiu 5,91% e ficou entre as maiores altas da carteira do Ibovespa.

Na avaliação do operador da Quantitas, Thiago Montenegro, a valorização dos papéis do BB, assim como os da Eletrobras (ON +3,47%), podem ser entendidas com uma "recuperação de estatais". Com a intensificação da tese de afastamento do PT do comando do País, analistas e operadores entendem que as empresas ligadas ao governo federal poderiam vir a ser beneficiadas. 

Nessa quinta-feira, o giro financeiro mostrou, mais uma vez, uma força maior que a média diária do histórico da BM&FBovespa. Totalizou R$ 11,845 bilhões, praticamente o dobro da observada no mês passado.

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