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Andy Wong|AP

Dólar volta ao patamar de R$ 4 e bolsas caem após teste nuclear da Coreia do Norte

Aversão ao risco é generalizada após a Coreia do Norte ter testado uma bomba de hidrogênio e causado um terremoto na região

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Fabrício de Castro,
O Estado de S.Paulo

06 Janeiro 2016 | 09h49

Texto atualizado às 17h50

As preocupações trazidas por um teste nuclear feito pela Coreia do Norte e os receios de sempre com a economia brasileira definiram hoje o avanço do dólar ante o real. A moeda americana fechou em alta de 0,36%, aos R$ 4,0073, em sintonia com o viés positivo para a divisa no exterior. 

Durante a madrugada, a Coreia do Norte informou ter realizado, com sucesso, seu primeiro teste com uma bomba H - um tipo de artefato mais potente que a bomba nuclear. No que parecia um flash-back da Guerra Fria, o teste foi condenado por várias potências, entre elas o Japão, que prometeu "forte medida" contra a Coreia do Norte.

Nos mercados de moedas, a reação direta foi de busca pela proteção do dólar, em detrimento das demais divisas. No Brasil, a máxima da sessão foi registrada logo no início do dia, sob o impacto das notícias: o dólar marcou R$ 4,0536 (+1,52%) às 9h05. 

Além da Coreia do Norte, a China contribuía para a busca de dólares. Isso porque o Banco do Povo da China (PBoC, o BC do país) orientou a queda do yuan (a alta do dólar) por meio de sua taxa de referência diária. "A situação da China incomoda. O país busca uma estabilidade do yuan contra uma cesta de divisas, para ficar mais competitivo na exportação. Mas isso é ruim para outros países exportadores e suas moedas", comentou José Faria Júnior, diretor da consultoria Wagner Investimentos. 

No Brasil, porém, o dólar na faixa dos R$ 4,05 provocou vendas. Como tem ocorrido em sessões mais recentes, sempre que a moeda atinge patamares mais altos, exportadores aproveitam para internalizar recursos. Ao mesmo tempo, players reduzem um pouco das posições compradas no mercado futuro, embolsando ganhos. 

O dólar perdeu força à tarde ante o real, mas manteve-se no campo positivo durante todo o tempo. Os dados do fluxo cambial de 2015, divulgado no início da tarde, geraram avaliações mistas nas mesas. Por um lado, alguns profissionais viram os números como um fator de sustentação do dólar. Por outro, como um motivo para a perda de força das cotações. 

No acumulado do ano, o fluxo cambial total foi positivo em US$ 9,414 bilhões, no melhor resultado desde 2012. Apenas em dezembro, o fluxo foi negativo em US$ 2,146 bilhões, com saídas de US$ 9,270 bilhões pela conta financeira e entradas de US$ 7,124 bilhões pela comercial. O resultado do mês passado foi ruim - já que prejudicou o desempenho anual -, mas dezembro já é, tradicionalmente, um período de fluxo negativo, em função das remessas ao exterior.

Diante disso, o Ibovespa fechou no menor nível desde 2009. A Petrobrás também é pressionada pela queda acentuada do petróleo, que opera no menor nível em quase 12 anos.

Europa. As bolsas na Europa recuaram nesta quarta. O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em queda de 1,26%, aos 354,35 pontos, o menor patamar desde 14 de dezembro.

Em Londres, o índice FTSE-100 caiu 1,04%, aos 6.073,38 pontos, com destaque para o recuo das mineradoras: Rio Tinto recuou 4,80%, Anglo American cedeu 4,52% e BHP Billiton, -5,42%. Já o índice CAC-40, da bolsa de Paris, recuou 1,26%, aos 4.480,47 pontos, destaque para os papéis da ArcelorMittal, que perderam 6,36%.

Na Alemanha, o índice DAX da bolsa de Frankfurt encerrou em queda de 0,93%, aos 10.214,02 pontos. A maior queda foi a da BMW, cujas ações recuaram 3,31%, seguida da Continental, que perdeu 3,01%.

O índice FTSE-Mib, da bolsa de Milão, recuou 2,67%, aos 20.422,39 pontos. Em Madri, o Ibex-35 fechou em queda de 1,48%, aos 9.197,40 pontos, e em Lisboa, o PSI-20 perdeu 0,98%, aos 5.164,26 pontos. 

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