ALEX SILVA/ESTADÃO
ALEX SILVA/ESTADÃO

Em 2016, governo vai priorizar gastos que já foram contratados

Lógica da equipe econômica foi cancelar os incrementos previstos para os programas sociais

Murilo Rodrigues Alves, Adriana Fernandes, O Estado de S. Paulo

26 Setembro 2015 | 16h08

A lógica que a equipe de Dilma adotou para os cortes foi reservar dinheiro no orçamento de 2016 para pagar o que já tinha sido contratado e suspender novas operações. Com isso, houve redução das metas dos programas, como abertura de novas vagas para o Pronatec e contratação de novas creches e postos de saúde, e alongamento dos prazos para a execução do que já tinha sido contratado.

A secretária de Orçamento do Ministério do Planejamento, Esther Dweck, explica que o esforço do governo tem sido muito grande este ano para acertar as contas. As medidas de esforço fiscal para 2015 equivalem a 2,3% do PIB, segundo a secretária.

Para o ano que vem, o governo precisou enxugar o orçamento dos programas sociais em duas etapas. Na primeira, quando a equipe econômica enviou ao Congresso uma proposta de orçamento deficitária, o corte foi de R$ 17 bilhões. 

Com a reação negativa da decisão – que levou o Brasil a perder o grau de investimento por uma das três maiores agências internacionais de classificação de risco – foi anunciado um pacote adicional de medidas para que as contas no ano que vem fechem no azul em 0,7% do PIB. Entre as medidas, o governo anunciou mais R$ 12,4 bilhões em cortes no Minha Casa, na área de Saúde e no PAC. Com esse valor, se considerar o corte no PAC, a tesourada pode subir para R$ 29,34 bilhões. 

A equipe econômica ainda tenta formas de compensar esses recursos sem onerar o orçamento da União. No caso do Minha Casa Minha Vida, o governo espera que o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) cubra a redução. No caso do PAC e da Saúde, sugeriu que fossem compensados com a utilização de emendas parlamentares. A sugestão irritou os deputados e senadores, que rejeitam a ideia de usar os recursos que normalmente investem em obras nas suas regiões para incrementar programas de âmbito federal. 

O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, deixou claro que, se não houver compensação por essas vias, os cortes serão feitos de qualquer jeito. Ainda não há decisão sobre quais projetos do PAC serão enxugados e em que medida atingirão a área social. 

Para o cientista político Murillo de Aragão, os cortes terão como consequência a desaceleração no ritmo de inclusão social e redução da desigualdade entre as classes, mas são necessários para que o ambiente econômico volte a ser favorável.

“O governo cometeu graves erros e está pagando o preço. Socialmente, a inflação e a recessão têm consequências mais graves do que o corte nos programas sociais, principalmente para as os mais pobres. É melhor tomar essas medidas fiscais para evitar o pior: a extinção total dos programas.”

Setores. A maior tesourada foi no PAC creches e pré-escola: o orçamento previsto para o ano foi reduzido em 85,8%. Caiu de R$ 3,8 bilhões para R$ 550 milhões entre 2015 e 2016. Esse dinheiro só será usado para pagar as obras das cerca de 5 mil creches – das 6 mil prometidas ainda na primeira campanha de Dilma – que ainda estão em diversos estágios pelo País. Não haverá novas contratações de unidades no ano que vem.

Investimentos em saneamento terão redução de 71,26% no orçamento do ano que vem. Para a construção de cisternas, foram cortados 40%. O programa para a construção de unidades básicas de saúde perdeu 21,45%.

Na educação, o Pronatec foi reduzido de R$ 4 bilhões da dotação orçamentária prevista para este ano para R$ 1,64 bilhão, na proposta de 2016. Com menos dinheiro, o governo deverá abrir 5,5 milhões de vagas até 2018, contra as 12 milhões inicialmente prometidas.

Afetado pela crise e pela alta do dólar, o Ciência Sem Fronteiras, que manda alunos brasileiros estudarem no exterior, teve o orçamento reduzido pela metade.

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