Juros esperam Copom e mantêm atenção no exterior

Semana curta, agenda longa. Não faltarão indicadores aqui e no exterior para o mercado focalizar suas atenções. A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), amanhã e na quarta-feira, é aguardada sem grandes expectativas, na medida em que a maioria do mercado acredita em mais um corte de 0,75 ponto porcentual na Selic, o que levaria a taxa de juro básico a 15,75%. Pesquisa da Agência Estado feita com 60 instituições financeiras, 56 têm essa expectativa; das quatro restantes, duas trabalham com previsão de queda de 0,50 ponto porcentual e duas com corte de 1 ponto. Mas se o mercado está relativamente tranqüilo em relação ao Copom, o mesmo não se pode dizer em relação ao PPI (inflação ao produtor nos Estados Unidos) e CPI (inflação ao consumidor) a serem divulgados, respectivamente, amanhã e na quarta. Como os juros dos títulos do Tesouro norte-americanos estão movendo o mundo (e o juro de dez anos persiste acima dos 5%), sabe-se lá para onde vão se a inflação dos EUA mostrar-se ameaçadora. Além das preocupações com a política monetária norte-americana, os mercados internacionais estão também preocupados com o tom crescente do conflito diplomático EUA-Irã, que já está no terreno das ameaças. Isso tem levado o petróleo a aproximar-se dos US$ 70 o barril. Esse quadro de incertezas deve manter os mercados cautelosos. Especificamente no de juros, as taxas dos contratos de prazos curtos devem se manter estáveis, atreladas às expectativas para o Copom, praticamente consensuais. Isso também limita um pouco o espaço de alta nos contratos longos, mas é certo que a cautela mora neles. No campo da inflação doméstica, continua tudo azul. O Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) da segunda quadrissemana de abril ficou em 0,23%, abaixo do piso das previsões de mercado, que variavam de 0,25% a 0,36%. Na Focus, do Banco Central, a projeção do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)deste ano caiu de 4,47% para 4,43% e em 12 meses, de 4,20% para 4,17%. Às 10h08, a projeção do contrato de depósito interfinanceiro (DI) mais negociado na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o juro do DI com vencimento para janeiro de 2008 estava em 14,55%, ante 14,59% de quinta-feira passada.

Agencia Estado,

17 Abril 2006 | 10h15

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