Sergei Karpukhin|Reuters
Sergei Karpukhin|Reuters

Limites à produção de petróleo elevam bolsas europeias

Decisão da Opep de cortar a produção para aumentar os preços surpreendeu o mercado europeu, mas há dúvidas sobre o impacto

Andrei Netto, correspondente, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2016 | 23h11

PARIS - Os mercados financeiros e os meios econômicos foram tomados de surpresa ontem, na Europa, em razão do anúncio de um acordo para limitar a produção de petróleo pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), anunciada no final da noite de quarta-feira. Bolsas de valores de Londres, Frankfurt ou Paris chegaram a registrar fortes altas, movidas por otimismo. 

Mas os riscos para a economia da União Europeia atrelados ao preço das matérias-primas, como o aumento dos preços ao consumidor, acabou moderando o entusiasmo. 

A decisão de limitar a produção de petróleo foi tomada pelos países da Opep com o objetivo de controlar a queda do preço da matéria-prima. Depois de chegar a US$ 150, o barril chegou a ser negociado a US$ 30 em 12 de fevereiro passado, afundando as finanças de países exportadores, como Arábia Saudita, Rússia, Argélia, Nigéria ou Venezuela. De acordo com a decisão, produção será limitada a entre 32,5 milhões a 33 milhões de barris por dia, contra um total de 33,47 milhões produzidos em agosto. O novo teto é a limitação mais estrita desde 2008, em meio à crise financeira que derrubou o preço do óleo.

Nesta quinta-feira, 29, os principais índices das bolsas de Londres, Paris e Frankfurt chegaram a girar em altas da ordem de 1%, antes que a maior parte deles retomasse a estabilidade. Se o britânico FTSE 100 fechou em alta de 1,02%, o alemão DAX fechou em baixa de 0,31%. Em Paris o CAC 40 teve alta moderada, próximo da estabilidade, registrando 0,26%. Os resultados foram semelhantes em outros países europeus.

Parte da oscilação positiva foi movida pelos títulos de companhias petrolíferas do continente. A francesa Total chegou a subir 4%, enquanto os títulos da britânica BP e da holandesa Royal Dutch Shell tiveram altas superiores a 6%. Por outro lado, companhias aeronáuticas sofreram o impacto, já que seus custos são fortemente influenciados pelo preço do petróleo. Os títulos da Air France caíram 1,83%, enquanto British Airways recuou 1,45%, ambas menos que a alemã Lufthansa, que chegou a perder 2,97%.

Nas primeiras horas após a decisão, a prudência foi a marca de analistas. Em Paris, a Agência Internacional de Energia (AIE), entidade que reúne os países consumidores, também foi contida em seu comunicado sobre o tema. "A iniciativa da Opep é um desenvolvimento importante para o mercado do petróleo", afirmou a entidade. "Mas é cedo demais para dizer se esse acordo terá um impacto sobre o equilíbrio do mercado." 

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