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Mercado revê previsões e fala em PIB zero no ano

FLAVIO LEONEL E MARIA REGINA SILVA E VINICIUS NEDER - Estadão Conteúdo

30 Agosto 2014 | 08h 16

A retração de 0,6% no Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre em relação ao primeiro deflagrou uma onda de revisões nas projeções para o crescimento da economia. Uma pesquisa feita com 20 instituições do mercado financeiro pela ''Agência Estado'' mostra que, na média, os analistas esperam uma alta de 0,35% no PIB neste ano e nenhuma das projeções ultrapassa os 0,8.

Até o ministro da Fazenda, Guido Mantega, revelou que o governo vai revisar sua projeção, que hoje indica um aumento de 1,8%. Antes da divulgação ontem do PIB, o Boletim Focus, pesquisa do Banco Central (BC) com cerca de 100 instituições, apontava projeção média de crescimento de 0,7% neste ano.

Para o terceiro trimestre, o cenário traçado pelos 20 analistas financeiros pesquisados também não é dos mais animadores. As previsões preliminares vão de uma queda de 0,1% a uma expansão de 0,8% em relação ao segundo trimestre - alta de 0,2% na média.

Entre a maioria dos economistas consultados, a perspectiva para o PIB no segundo semestre é um pouco melhor do que a observada no primeiro, quando houve expansão de 0,5% em relação a igual período de 2013, mas o cenário esperado seria insuficiente para reerguer a economia.

Efeito Copa. "A expectativa é de alguma retomada leve da atividade em agosto devido basicamente a mais dias úteis", comentou o economista Henrique Santos, da gestora ARX Investimentos, lembrando do efeito da Copa do Mundo.

Para o último trimestre, a ARX trabalha com estimativa preliminar de expansão entre 0,5% e 0,6% ante o terceiro trimestre, mas isso não seria suficiente para recuperar o resultado do acumulado de 2014, que deverá ser de apenas 0,1%.

Após os dados do PIB do segundo trimestre, a consultoria Tendências revisou a projeção para 2014, de um crescimento de 0,6% para avanço de apenas 0,3%. "Teria de haver uma recuperação muito forte da economia, o que não me parece factível, dado que os indicadores (já divulgados) não apontam isso", argumentou o economista Rafael Bacciotti.

Segundo a Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO), o crescimento das vendas de em julho sinaliza uma recuperação da economia, após três meses consecutivos de desempenho negativo.

O papelão ondulado é usado nas embalagens de diversos produtos e suas vendas costumam indicar avanços e retrações na economia.

O economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira, está no piso do levantamento da Agência Estado. Para Oliveira, a confiança em queda reforça a percepção de baixa até no atual trimestre. Para o último quarto do ano, o banco espera avanço de 0,20%, o que levaria a crescimento zero em 2014. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.