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PDG e Tenda entram no rol de trabalho análogo ao escravo

CIRCE BONATELLI - Agência Estado

04 Julho 2014 | 13h 09

A incorporadoras PDG Realty e Tenda foram incluídas na "lista suja" do Ministério do Trabalho, que relaciona empresas acusadas de manter empregados em condição semelhante à de trabalho escravo. No caso da PDG, o empreendimento em questão é um condomínio residencial que está sendo construído em Juiz de Fora (MG).

O problema com a Tenda, subsidiária da Gafisa, envolve dois empreendimentos: um projeto residencial também na cidade de Juiz de Fora, e outro canteiro em Belo Horizonte. Procurada, a assessoria de imprensa do Ministério do Trabalho não forneceu mais detalhes sobre a situação dos trabalhadores nas obras.

A Tenda disse que está tomando todas as medidas e ações cabíveis para promover a exclusão de seu nome do cadastro. "A Tenda se posiciona de maneira sólida e veemente contra qualquer prática que não respeite os direitos trabalhistas de colaboradores, tanto do seu próprio quadro de empregados, como de seus fornecedores e parceiros", afirmou a empresa, em comunicado. A PDG não havia se manifestado até a publicação desta matéria.

Consequências.

Com a inclusão na lista suja, as incorporadoras perdem acesso a novos financiamentos de bancos públicos, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, e são vetadas na contratação de novos projetos dentro de programas públicos, como o Minha Casa, Minha Vida. Dentre as grandes empresas de construção do segmento residencial, a última a integrar a lista foi a MRV Engenharia, que levou em torno de um a dois meses para deixar o cadastro.

Para o analista de construção civil Enrico Trota, do Itaú BBA, a inclusão na lista não deve implicar em graves consequências operacionais para a Tenda. "Ainda que o sentimento seja negativo, o impacto sobre os fundamentos deve ser limitado", afirmou, em relatório para clientes do mercado financeiro. Na sua avaliação, a inclusão não afetará novos clientes da Tenda, nem a liberação de recursos que já tenham sido contratados junto a bancos. "Mesmo que não haja previsão de grandes impactos operacionais, o barulho é negativo e pode pesar sobre o desempenho das ações".

Já no caso da PDG, a situação pode ser um pouco mais delicada. Segundo avalia a equipe de análise de construção civil do banco Credit Suisse, a companhia tem um volume relevante de projetos em fase de aprovação e contratação de crédito. Além disso, a PDG está em fase de renegociação de dívidas corporativas com vencimento em 2014 e 2015. "Assim, acreditamos que potenciais proibições poderiam representar um vento contrário adicional na frente da renegociação da dívida", afirmam os analistas Nicole Hirakawa, Luis Stacchini e Vanessa Quiroga, em relatório do banco.

A PDG obteve recentemente linha de R$ 320 milhões com o Banco do Brasil. Mas até o fim de março, data de publicação do último balanço, a incorporadora contava com R$ 1,035 bilhão em caixa e equivalentes e R$ 899 milhões de dívidas corporativas com vencimento até o fim deste ano.