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Morteza Nikoubaz/Reuters

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Petróleo fecha abaixo dos US$ 30 após 12 anos e derruba ações da Petrobrás

Cotação do barril fechou o dia em US$ 28,94 em Londres e em US$ 29,42 em Nova York, refletindo os temores com o crescimento da China e com o aumento de exportações do Irã; resultado fez os papéis da Petrobrás registrarem queda de 9,14%

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Vinícius Neder, Antonio Pita, Fabrício de Castro,
O Estado de S.Paulo

15 Janeiro 2016 | 11h11
Atualizado 16 Janeiro 2016 | 00h16

Pela primeira vez em 12 anos, a cotação internacional do petróleo fechou abaixo de US$ 30 por barril. Temores em relação ao crescimento da China e a perspectiva de aumento nas exportações do Irã derrubaram os preços. O efeito, no Brasil, veio com o recuo das ações da Petrobrás em 9,14% (cotação da ação preferencial, PN, que fechou a R$ 5,17), arrastando junto o Ibovespa, principal índice da Bolsa, que caiu 2,36%. Em janeiro, os papéis da Petrobrás já acumulam queda de 22,84%. 

A cotação do petróleo influencia negativamente as ações de todas as petroleiras, por causa da diminuição da perspectiva de receita. No caso da Petrobrás, um patamar muito baixo dificulta ainda a venda de ativos para fazer caixa – uma das estratégias da empresa para driblar a crise financeira – e lança dúvidas sobre a viabilidade econômica de explorar o pré-sal, que exige pesados investimentos em tecnologia e logística.

No início da semana, as ações da Petrobrás já haviam tombado na Bovespa após a estatal anunciar que trabalha com a projeção de uma cotação média de US$ 45 por barril para este ano, considerada otimista demais pelo mercado. 

Nesta sexta-feira, 15, o barril tipo Brent fechou a US$ 28,94 na ICE, bolsa de matérias-primas de Londres, queda de 6,28%. O petróleo do tipo WTI, negociado em Nova York, tombou 5,71%, para US$ 29,42 o barril, menor preço em 12 anos.

Segundo especialistas, o recuo nas cotações do petróleo neste início do ano se deve a um cenário de excesso de oferta e demanda frágil, mas as cotações abaixo de US$ 30 parecem exageradas. Na estimativa da agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P), o preço médio deste ano ficará em US$ 40 por barril. A S&P anunciou uma revisão em suas projeções – antes, a expectativa para 2016 era de US$ 50. 

A diretoria da Petrobrás defendeu suas estimativas. “Está todo mundo com os números muito semelhantes ao da Petrobrás. O que aconteceu foi uma queda numa velocidade inacreditável”, afirmou o diretor financeiro, Ivan Monteiro. Segundo ele, uma revisão para baixo entrará no radar somente se as cotações se consolidarem abaixo de US$ 30 o barril.

Na avaliação da LCA Consultores, o barril poderá chegar ao fim do ano negociado em torno de US$ 50. Em relatório, a consultoria prevê recuperação dos preços com a sinalização da redução da oferta internacional e da expectativa de manutenção da demanda.

Na visão do professor Edmar Almeida, do Grupo de Economia da Energia da UFRJ, os problemas estão mais do lado da oferta. “Havia uma expectativa de que a Arábia Saudita fizesse algo para evitar a queda dos preços, mas, pelo contrário, eles deram sinais opostos”, afirmou.

A Arábia Saudita é o país mais forte na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) – que influi nas cotações controlando a oferta – e, desde 2014, vem demonstrando disposição de deixar os preços caírem para não perder mercado para novos produtores, como o petróleo de folhelho (shale oil) dos Estados Unidos.

Efeito. As recentes tensões diplomáticas entre sauditas (de maioria sunita) e Irã (de maioria xiita), em vez de subirem os preços do petróleo, como fazem os conflitos no Oriente Médio, estão jogando as cotações para baixo. A aproximação do Irã com o Ocidente desagrada os sauditas e abre oportunidade para redução de sanções e, portanto, mais oferta de petróleo.

“O fim das sanções não poderia vir num momento pior para o mercado de petróleo e, portanto, poderá, potencialmente, pressionar os preços ainda mais para baixo”, disseram, em nota, analistas do banco alemão Commerzbank.

Do lado da demanda, os olhos estão todos voltados para a China, e isso pode explicar certo exagero na desvalorização da commodity neste início de ano, segundo Marcel Caparoz, economista da RC Consultores, que considera mais factível o barril ficar entre US$ 30 e US$ 40. 

O ano começou com fortes quedas nas bolsas chinesas, algo que se tornou recorrente, incluindo o pregão desta sexta-feira. “O medo é a desaceleração na China ser mais forte”, disse Caparoz, lembrando que os efeitos se espalham nas cotações de todas as matérias-primas demandadas pelo país. “Há expectativa de demanda mais fraca, num momento de sobreoferta de petróleo.”

Dólar. Os mesmos fatores também fizeram o dólar subir em todo o mundo ante divisas de países emergentes ou exportadores de commodities. No Brasil, a moeda à vista fechou em alta de 1,36%, aos R$ 4,0484, encerrando a semana com elevação de 0,36%.  Na mínima, na abertura dos negócios, a moeda à vista marcou R$ 4,0010 (+0,17%) e, na máxima, às 11h52, atingiu R$ 4,0643 (+1,76%). Neste momento de pico, as cotações também refletiam alguns números ruins sobre a economia americana, com destaque para o índice Empire State de atividade industrial de Nova York (-19,37 em janeiro, ante previsão de -4,0) e para as vendas no varejo americano (+2,1% em 2015, a menor taxa em seis anos). À tarde, houve certa desaceleração, mas ainda assim a divisa terminou com ganhos firmes. / COM DOW JONES NEWSWIRES, COLABOROU ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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