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Paulo Whitaker/Reuters

Sob cautela com cenário político, dólar e Bolsa fecham perto da estabilidade

Apesar de começar o dia com alta de 1,13%, moeda norte-americana terminou marcando R$3,6810, em sintonia com certa melhora das bolsas de Nova York e das moedas de outros países emergentes

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Fabrício de Castro,
O Estado de S. Paulo

24 Março 2016 | 18h18

SÃO PAULO - As notícias mais recentes da política, que trouxeram incertezas quanto ao futuro do governo, continuaram a influenciar os negócios hoje no Brasil. Os investidores da área de câmbio adotaram postura cautelosa com a questão do impeachment de Dilma Rousseff ainda indefinida e antes do feriado de Páscoa. Já a Bovespa passou por certa realização de lucros, por meio da venda de ações, mas o movimento foi limitado, com players evitando mudanças radicais de posições neste momento de indefinição no cenário político. O dólar terminou em leve alta de 0,04%, aos R$ 3,6810.

O início do dia foi marcado pela pressão de alta do dólar ante o real. O movimento era justificado, em parte, pela cautela em torno da política, após as notícias dos últimos dias sobre a Operação Lava Jato. A expectativa de que executivos da empreiteira Odebrecht estejam colaborando com as autoridades, além da lista de pagamentos feitos pela companhia a centenas de políticos, de dezenas de partidos, turvou o cenário. Na prática, com tantos políticos atingidos, surgiram dúvidas sobre o impeachment, que vinha sendo tratado como inevitável nas últimas semanas, e sobre quem ocuparia a Presidência na ausência de Dilma.

Outro fator que influenciava a alta do dólar no início dos negócios era o leilão de swap cambial reverso (equivalente à compra de dólares no mercado futuro) programado pelo Banco Central, numa oferta de até 3 mil contratos (US$ 150 milhões). Além disso, a instituição havia reduzido de 2.500 contratos (US$ 125 milhões) para 2.000 contratos (US$ 100 milhões) a oferta de contratos de swap tradicional para a rolagem dos vencimentos de abril. Neste cenário, o dólar marcou a máxima de R$ 3,7210 (+1,13%) às 9h04.

 

Porém, depois disso, a moeda começou a perder força, com exportadores aproveitando as cotações para perder moeda. Além disso, o BC acabou não comprando dólares na operação de swap cambial reverso, frustrando a expectativa de parte do mercado. E como as dúvidas em torno do impeachment são muitas, as cotações foram se reaproximando da estabilidade ao longo do dia. Perto do fechamento, às 17h01, o dólar à vista marcou a mínima de R$ 3,6795 (estável), em sintonia com certa melhora das bolsas de Nova York e das moedas de outros países emergentes.

Bolsa. O Ibovespa - índice de referência da Bolsa brasileira - chegou a cair 1,84% no início do dia, mas também desacelerou as perdas no decorrer da sessão. Investidores venderam ações de alguns setores, embolsando os lucros mais recentes, mas mesmo este movimento foi contido em função das dúvidas em torno do cenário político. No fim, após alguma melhora dos índices de ações em Nova York, o Ibovespa fechou em leve baixa de 0,07%, aos 49.657,39 pontos.

Entre as ações de referência para o índice, Petrobrás ON subiu 0,71%, aos R$ 9,99, e Petrobras PN teve alta de 0,39%, aos R$ 7,81. Os papéis da Vale, após chegarem a cair mais cedo, terminaram com ganhos consistentes: +6,59% o ON e +8,29% o PN.

Profissionais do mercado comentavam, no entanto, que os fundamentos do setor de mineração não se alteraram e não justificavam a recuperação das ações da Vale. Hoje, os preços do minério de ferro caíram 3,1% no mercado à vista chinês, a US$ 55,5 a tonelada seca, de acordo com dados do The Steel Index. Um profissional, no entanto, chamou a atenção para a alteração da política de dividendos sugerida pela mineradora. A Vale estuda distribuir dividendos de acordo com o fluxo de caixa e, por esta avaliação, os preços podem ter ganhado impulso.

Em Nova York, o índice Dow Jones subiu 0,08%, aos 17.515,73 pontos, o S&P 500 cedeu 0,04%, aos 2.035,94 pontos, e o Nasdaq avançou 0,10%, aos 4.773,51 pontos

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