Luke MacGregor/Reuters
Luke MacGregor/Reuters

Temor de crise no Deutsche Bank faz Bolsa cair 1,69% e dólar ir a R$ 3,25

Notícias de que grandes fundos de investimento desmontaram posições no maior banco da Alemanha afetaram papéis de instituições no Brasil e causaram movimento de aversão ao risco

Paula Dias, Lucas Hirata, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2016 | 19h48

O surgimento de notícias de que o Deutsche Bank, o maior banco da Alemanha, foi alvo de desmontagem de posições de grandes fundos - um agravante à sua situação já bastante delicada - influenciou diretamente os negócios no mercado financeiro no Brasil. 

A Bolsa iniciou o dia rondando a estabilidade, mas fechou em queda de 1,69%. As ações de bancos reagiram com queda em todo o mundo, lideradas, naturalmente, pelas do Deutsche e outros bancos europeus. Com isso, o Índice Bovespa firmou-se em queda e terminou o dia aos 58.350,56 pontos.

O dólar firmou-se em alta ante o real, num movimento global de aversão ao risco no período vespertino. No mercado à vista, a moeda avançou 0,96%, aos R$ 3,2540, maior nível de encerramento desde 20 de setembro, de R$ 3,2631. Na máxima, a divisa norte-americana chegou aos R$ 3,2665, com elevação de 1,35%. De acordo com dados registrados na clearing da BM&FBovespa, o volume de negócios somou US$ 2,697 bilhões. 

As recentes quedas das ações do Deutsche ocorrem em meio a dúvidas sobre sua capacidade de pagar multas multibilionárias em dólares, aplicadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos devido a negócios irregulares de anos atrás. O temor maior é de um colapso do banco, com desencadeamento de uma série de efeitos negativos sobre o setor financeiro europeu. 

Na Bovespa, as ações de bancos tiveram reação imediata e em bloco à notícia da fuga de fundos, com todos os papéis migrando rapidamente para o terreno negativo. O Índice Financeiro, que reúne apenas ações do segmento, teve queda de 1,99%, fechando na mínima do dia. Nesse grupo, destaque para as units do Santander Brasil - banco espanhol - que caíram 2,70%. Banco do Brasil ON caiu 2,92%, Itaú Unibanco cedeu 2,55% e Bradesco PN 1,66%.

Com o Deutsche no centro das atenções, houve pouco espaço para outras interferências nos negócios da Bovespa. O petróleo operou em alta, mas não com força suficiente para sustentar as ações da Petrobras, que terminaram o dia com quedas de 1,70% (ON) e de 3,03% (PN). Já as ações do setor de papel e celulose andaram na contramão do Ibovespa. Entre as 58 ações que compõem a carteira teórica do índice, as duas maiores altas foram de Suzano PNB (+2,51%) e Fibria ON (+1,97%). As altas são justificadas pelo fato de as duas empresas terem anunciado reajuste de preços da celulose.

Com o resultado de hoje, o Ibovespa reduziu a alta acumulada em setembro para 0,78%. No ano, o índice contabiliza ganho de 34,61%. E setembro vai chegando ao fim com saldo negativo de recursos externos. Até a última terça-feira (27), a Bovespa contabilizava saída de R$ 1,944 bilhão no mês. Em 2016, a Bolsa tem saldo positivo de R$ 13,064 bilhões em recursos externos.

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