Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Um dia antes de delação vazar, JBS foi a 2ª maior compradora de dólar do País, diz PF

Para delegado, os irmãos Batista estavam conscientes do 'potencial lesivo' de sua delação para o mercado financeiro

Altamiro Silva Junior, Julia Affonso e Elizabeth Lopes, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2017 | 12h32

Um dia antes da delação da JBS vazar, a empresa comandada pelos irmãos Batista foi a segunda maior compradora de dólar no Brasil, permitindo aos empresários embolsar lucros milionários. Essa é o teor da investigação apresentada pelo delegado da Polícia Federal, Rodrigo Costa, que explicou em entrevista à imprensa a prisão preventiva de Wesley Batista nesta quarta-feira, 13, pela manhã. Também foi decretada a prisão do irmão do empresário, Joesley Batista, que já está em detenção preventiva a pedido do procurador-geral Rodrigo Janot.

O delegado disse que os irmãos Batista estavam conscientes do "potencial lesivo" que o conteúdo das informações que eles detinham na delação poderia causa no país e no mercado financeiro. Com isso, uma das estratégias foi operar no mercado de câmbio, comprando contratos futuros de dólar antes da delação vir a público. "Foi uma movimentação absolutamente atípica", disse ele, falando dos valores movimentados antes da delação ser noticiada.

Com o vazamento da delação, o dólar disparou 9% no dia seguinte. "Um dia antes da delação, em 17 de maio, a JBS fica em segundo lugar na compra de dólares, coisa que nunca aconteceu na história da empresa", disse Costa, ressaltando que apenas neste dia eles negociaram US$ 474 milhões com a moeda cotada a R$ 3,11. Segundo nota do Ministério Público Federal, somente as operações em dólares somaram R$ 3 bilhões, rendendo lucro aos irmãos batista de US$ 100 milhões. Esta é a mesma quantia da multa prevista na delação no processo criminal, de US$ 110 milhões.

"Eles efetivamente trabalhavam com a perspectiva do conhecimento público da delação", disse Costa. O delegado da PF ressaltou que se não houvesse o vazamento das informações e se a delação não tivesse ficado pública, o dólar dificilmente subiria o que subiu, quando superou os R$ 3,40.

Ao fazer essas operações no mercado financeiro, Costa ressalta que os donos da JBS descumpriram o acordo da delação, omitiram informações e demonstraram o perfil criminoso deles, além de abalar o mercado financeiro.

Segundo os delegados, a investigação desta operação não tem relação com o caso dos irmão no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), onde foi decretada a prisão temporária de Joesley Batista no último final de semana. Segundo Costa, quando acabar o prazo desta prisão, o empresário deve ser transferido para São Paulo, onde foi preso hoje Wesley.

"Foi evitado prejuízo de milhões de reais com a venda de ações e foi auferido lucro de milhões de reais com os contratos de derivativos", disse o delegado Victor Hugo, ressaltando que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deve concluir relatório nas próximas semanas especificando estes valores.

As residências dois irmãos foram revistadas hoje pela PF, mas não houve apreensão de material, segundo os delegados.

Mais conteúdo sobre:
Joesley Batista Wesley Batista

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.