Consumidores se unem por descontos na rede
Cresce no País o número de sites de compras coletivas, que reduzem o preço dos produtos para os internautas
RIO - A união de consumidores para obter descontos, uma prática de negociação antiga, está ganhando ares modernos com a proliferação dos sites de compras coletivas no País. Por meio de um deles, 5.075 internautas puderam contratar três meses de aluguel de DVDs na Blockbuster por R$ 3, um desconto de 98%.
O modelo é uma iniciativa de empresários que perceberam que poderiam oferecer descontos ao mobilizar um número mínimo de pessoas para fazer uma compra.
Os novos investimentos no comércio eletrônico vêm a reboque dos bons resultados obtidos pelo setor no Brasil. No primeiro semestre deste ano, o setor faturou R$ 6,7 bilhões, um aumento nominal de 40% ante igual período de 2009, revelou relatório elaborado pela empresa de monitoramento de comércio eletrônico e-bit.
Um dos sites de compras coletivas que estrearam este ano foi o Imperdível. Pedro Guimarães, um dos sócios, explica que o negócio é possível porque une o interesse dos consumidores e o das empresas parceiras.
"Damos aos usuários um forte desconto e um guia de serviços da cidade. Aos parceiros, levamos um novo consumidor a custo zero", diz. Ele afirma que as empresas oferecem os serviços a preço de custo e o Imperdível põe sua comissão sobre esse valor na venda.
Além de trazer novos clientes, os sites de compras coletivas são um meio de reforçar uma marca, avalia o professor de marketing José Luiz Trinta, do Ibmec-RJ. "Uma oferta não vai influenciar o resultado da Coca-Cola, mas serve para formar uma imagem, introduzir um conceito ou estimular a experimentação", afirma. Em junho, um site de compras coletivas registrou o recorde de 5.830 vendas de 24 latinhas de Coca-Cola Light Plus por R$ 5, um desconto de 85%.
Parceria
A carioca Deise Lima, da galeria virtual Foto na Parede, foi uma das empresárias que apostaram em uma parceria com um site de compras coletivas. Ela viu um aumento de 300% no número de visitas na página da galeria no dia em que a promoção foi ao ar no Peixe Urbano, o primeiro de compras coletivas no Brasil. "O maior benefício para nós foi a visibilidade que nos deu, muitos clientes novos cadastrados e fortalecimento da marca", conta.
Deise comemora o fato de mais da metade das pessoas terem excedido o valor do cupom comprado. "Oferecemos um crédito de R$ 69 por R$ 21, um desconto de 70%, mas muitas pessoas acabaram gastando acima desse valor", diz. Ela conta que passados 15 dias da veiculação da promoção, 18% dos acessos à galeria virtual ainda eram advindos do Peixe Urbano.
"O tempo médio desses acessos foi alto: gente que chega, navega, explora, demonstra intenção de comprar e compra."
Surgidos no País em março, os sites de compras coletivas já são pelo menos 15, divulgando ofertas de cerca de 15 cidades. Todos seguem o mesmo modelo de negócios desenvolvido pela Group On nos Estados Unidos em 2008. Uma oferta é anunciada e um relógio começa a marcar uma contagem regressiva. Se até o fim da contagem o número mínimo de compradores estipulado não for atingido, a promoção é cancelada.
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