Quem é a mulher de US$ 1,6 bilhão do Facebook
Prestes a se tornar uma das mulheres mais ricas do mundo, a nº 2 de Mark Zuckerberg tem outra meta: aconselhar executivas a apostar em suas carreiras e a mirar bem alto
Setenta e duas horas antes do grande momento do Facebook, Sheryl K. Sandberg estava bem longe dali, num encontro informal com colegas de Bill Gates e com o arcebispo Desmond Tutu. Sheryl é a nº 2 de Mark Zuckerberg. E, se tudo correr bem, logo se tornará a mulher de US$ 1,6 bilhão - perdendo apenas para Oprah no rol das mulheres que se fizeram por si, segundo a Forbes. Na última quarta-feira, o Facebook apresentou a documentação para abrir o capital, o primeiro passo em um processo que pode transformá-lo numa das corporações mais valiosas do planeta.
Mas Sheryl, que ajudou a impulsionar a rede social, estava preocupada com outras coisas. Ela participava da sessão anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, onde seu tema não era o Facebook - mas as mulheres. Especificamente o fato de que elas, em seu ponto de vista, precisam se responsabilizar por suas carreiras e não culpar os homens por não deixá-las deslanchar.
Considerando que Sheryl é a diretora de operações do Facebook, e que Wall Street estava esperando ansiosamente a notícia sobre a abertura de capital na semana passada, é possível julgar que as prioridades da executiva estivessem invertidas. Mas ela se considera mais do que uma executiva de uma das companhias de maior sucesso do momento. Ela se vê como um modelo para as mulheres que vivem no mundo dos negócios e da tecnologia. Nos seus discursos, aconselha frequentemente as mulheres a "pisar no acelerador" e a mirar bem alto.
Na sede do Facebook, em MenloPark, na Califórnia, ela é considerada uma arma para recrutar e segurar no cargo mulheres talentosas - além também dos homens. Ela e Zuckerberg precisarão dos melhores cérebros disponíveis para sustentar o crescimento espantoso do Facebook. Evidentemente, é muito útil o fato de que Sheryl tem personalidade impressionante e muita habilidade para comunicação. Ela usa um tom cordial e apaziguador que a distingue de muitos outros executivos, sejam eles homens ou mulheres.
Suas palestras são rapidamente divulgadas. No YouTube, vídeos dos seus discursos foram vistos mais de 200 mil vezes. Alguns foram até mesmo incluídos em programas de cursos nas faculdades de administração de Stanford e Harvard. Em suma, ela transpira aquilo que parece deixar muitas pessoas, particularmente as mulheres jovens, embasbacadas. "Há algumas mulheres que poderiam ter sido o ‘Justin Bieber da tecnologia’, mas Sheryl é única", disse Ann Miura-Ko, professora da Escola de Engenharia de Stanford e sócia da Floodgate, uma companhia de investimentos de Palo Alto, Califórnia. "As mulheres jovens querem realmente imitá-la e aprender com ela."
Outras mulheres do Vale do Silício constituem exemplos que as jovens querem seguir. Muitas, como as executivas do Google Marissa Mayer e Susan Wojcicki, trabalharam em silêncio promovendo as mulheres em suas companhias. Outras - como Meg Whitman, a ex-diretora executiva do eBay, que agora está à frente da HP; Carly Fiorina, ex-presidente da HP; e Carol Bartz, ex-presidente da Yahoo - alcançaram os níveis mais altos do sucesso na área de tecnologia.
Mas nenhuma fez das mulheres a sua causa como Sheryl. Mesmo assim, alguns afirmam que sua mensagem "mire bem alto" está um pouco fora de sintonia. Todos concordam que ela é extraordinariamente inteligente. Mas também teve muita sorte, além de mentores fabulosos ao longo de sua carreira. Depois da Faculdade de Administração de Harvard, ela ascendeu rapidamente de um cargo de economista no Banco Mundial para a chefia de gabinete de Lawrence H. Summers, então secretário do Tesouro. Depois disso, foi para o Google e, em 2008, para o Facebook. É casada com Dave Goldberg, um empresário bem-sucedido e CEO da SurveyMonkey, que permite às pessoas criarem suas próprias pesquisas na web. Ela não precisa se preocupar com dinheiro. Ou com o cuidado dos filhos - ela e o marido têm dois pequenos.
Anunciantes
Sua atenção em relação às mulheres tem se mostrado muito vantajosa para a empresa de outras maneiras, disseram investidores e analistas. Sheryl diz que as mulheres são responsáveis por 62% das atividades no Facebook em termos de atualização de status, mensagens e comentários. Elas também representam 71% da atividade diária dos fãs, têm 8% mais amigos no Facebook do que os homens, em média, e gastam mais tempo no site. No início do Facebook, as mulheres foram as primeiras a carregar fotografias, participar de grupos e postar o seu perfil no mural.
Parte da função de Sheryl consiste em cultivar relações com grandes anunciantes procurando novas maneiras de interagir com os clientes - particularmente mulheres. Foi fundamental para contratar anunciantes como a Procter & Gamble. Depois de várias reuniões com o Facebook, a Procter escolheu a plataforma para uma nova campanha do desodorante Secret dirigido para mulheres jovens.
Se os homens do Vale do Silício costumam fazer grupinhos nas salas de reunião da empresa ou em passeios de bicicleta nos fins de semana, Sheryl criou um grupo alternativo social de mulheres do Vale do Silício. Há cerca de sete anos, desde que ela era executiva do Google, organiza mensalmente jantares em sua casa. Entre os convidados estão a feminista e autora de livros Gloria Steinem; Steve Ballmer, CEO da Microsoft; e o prefeito Michael R. Bloomberg de Nova York. "Esperava ver um monte de mulheres em terninhos, com bolsas caríssimas e fiquei agradavelmente surpresa quando vi que não era nada daquilo", contou a senadora Claire McCaskill de Missouri, que já participou do evento. "No jantar havia mulheres em começo de carreira, com os filhos correndo em volta. Estava claro que ela é o modelo de executiva que as mulheres mais jovens procuram, principalmente no setor de tecnologia."
(Tradução Ana Conceição)
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