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Emergentes ‘salvam’ os relógios de luxo

Com mercado em queda nos países ricos, fabricantes investem em novos mercados e veem vendas crescerem em países como China e Brasil

16 de janeiro de 2012 | 23h 00
Jamil Chade, correspondente de O Estado de S. Paulo

GENEBRA - Mesmo entre os precisos relógios suíços, ajustes são frequentes e praticamente uma obrigação num dos segmentos que admite não poder errar para sobreviver. Mas nunca esse exercício foi tão necessário como agora.

 - Sandro Campardo/AP
Sandro Campardo/AP

Diante da crise em mercados tradicionais, o setor dos relógios de luxo está sendo obrigado a se adaptar e buscar novos clientes justamente onde o consumo desses tipos de bens é um passaporte a um novo status social: os novos ricos dos países emergentes.

Ontem, em Genebra, a maior feira de relógios de luxo do mundo abriu suas portas. Mas, se a indústria ainda se reúne na Suíça, são os mercados emergentes que têm evitado um colapso do setor e, pelos corredores, investidores e clientes asiáticos disputam espaço com os tradicionais compradores.

Dados das maiores empresas do segmento de luxo mostram que a expansão de vendas na China, Índia, Rússia e Brasil está compensando a estagnação nos mercados europeus, do Japão e dos Estados Unidos. Hoje, as marcas sofrem para encontrar compradores nesses países.

O resultado da Richemont, uma das maiores empresas de produtos de luxo do mundo, escancara essa nova realidade. A empresa, que reúne marcas como Cartier, Van Cleef & Arpels e IWC, registrou vendas de 2,6 bilhões no terceiro trimestre de 2011, 24% acima do período anterior. Desse total, quase metade veio das vendas na China, onde o regime comunista parece não ter problemas com a expansão de 36% nas vendas de um bem de luxo e que por décadas foi o símbolo da ostentação capitalista.

Nas Américas, o crescimento foi de 23%, liderado pela expansão nos países sul-americanos. No ano, a Richemont teve uma expansão de vendas de 31%. Mas, na Ásia, a alta foi de 50%.

Para o grupo LVMH, a situação não é diferente. Francesco Trapani, responsável pela área de relógios do grupo, admitiu ao jornal suíço Le Temps que a China é "a prioridade número 1" para a empresa. Por ano, a empresa promete abrir entre cinco e seis lojas no país asiático. Hoje, o mercado chinês já responde por 18% das vendas de relógios do grupo. "As perspectivas para a Europa não são as melhores, com a crise do endividamento e a austeridade", justificou.

Mas a China não é a única que chama a atenção. Diante da constatação de que brasileiros gastaram US$ 6 bilhões no exterior em 2011 apenas em compras, uma série de marcas se apressam para abrir suas lojas no País.

Estreia. Uma das marcas que está chegando ao Brasil é a sofisticada IWC, de Schaffhausen, na Suíça. A partir de abril, a empresa terá sua primeira loja no País, no Shopping JK, em São Paulo. Além disso, a empresa promete reforçar sua rede de distribuição no restante do Brasil para relógios sofisticados, além de uma ofensiva para tornar a marca conhecida. Para promover a empresa, a IWC levará nesta semana para Genebra a modelo brasileira Adriana Lima como convidada especial.

A mesma ofensiva nos emergentes fará a Cartier, que deve abrir cerca de 30 novas lojas na Ásia e América do Sul até o final de 2012, uma expansão de 10% em sua rede. A fabricante de relógios tem uma ligação histórica com o Brasil. Em 1904, foi a primeira a fabricar um relógio de pulso, justamente para Alberto Santos Dumont.

Agora, a empresa está de olho numa nova geração de brasileiros. Segundo a consultoria Delloite, o Brasil está perto de ter mais de 1 milhão de milionários. Por ano, o setor de luxo cresce a quase 30% no País, movimentando mais de R$ 15 bilhões.


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