Fiscalização flagra trabalho escravo em oficinas da marca Zara em SP
Segundo reportagem do site Repórter Brasil, quadro encontrado foi de trabalho infantil, condições degradantes e jornadas de até 16 horas de trabalho diário
SÃO PAULO - Uma fiscalização do governo federal flagrou trabalhadores estrangeiros em situação análoga à escravidão operando em oficinas contratadas pela marca espanhola Zara, do grupo Inditex. Segundo a reportagem do site Repórter Brasil, na operação, 15 pessoas foram libertadas de duas oficinas, uma no Centro da capital paulista e outra na Zona Norte. A investigação é da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP). Avisada do momento da apreensão, a Zara não enviou nenhum representante.
De acordo com os agentes públicos, o quadro encontrado foi de contratações irregulares, trabalho infantil, condições degradantes e jornadas de até 16 horas de trabalho diário. Além de serem obrigados a arcar com todos os custos, inclusive o de vinda ao Brasil, os trabalhadores eram obrigados a pedir autorização para sair dos locais de trabalho, que também era suas residências.
A maioria dos funcionários das oficinas eram peruanos ou bolivianos. Os fiscais apreenderam durante a operação um caderno que continha a contabilidade do grupo. A maioria dos trabalhadores não tinha direitos pagos e recebiam salários de R$ 274 a R$ 460.
A fiscalização lacrou a produção e apreendeu parte das peças, incluindo a peça piloto da marca Zara. As máquinas de costura também foram interditadas por não oferecerem segurança aos trabalhadores. Segundo a reportagem, para cada peça feita, o dono da oficina recebia R$ 7. Os costureiros declararam que recebiam, em média, R$ 2 por peça costurada.
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