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GP e Sam Zell negociam compra de ativos da Gafisa

Ações da construtora, que perderam dois terços do valor em 2011, tiveram recuperação com notícia de retorno de antigos sócios

02 de fevereiro de 2012 | 23h 06
Fernando Scheller, de O Estado de S. Paulo

A construtora Gafisa confirmou ontem, em fato relevante, que está negociando a venda de ativos para dois "gigantes" do setor de private equity: a Equity International, do megainvestidor americano Sam Zell, e a GP Investimentos. A companhia disse que o negócio está sendo "examinado pela administração".

 - Clayton de Souza/AE
Clayton de Souza/AE

Como a Gafisa é uma empresa "sem dono", com sociedade altamente pulverizada, uma compra de controle pelos fundos não faria sentido. Além disso, os potenciais sócios já tiveram participação relevante na construtora e deixaram a companhia, realizando lucro (leia mais ao lado).

O que está sendo negociado agora, segundo fontes ouvidas pelo Estado, é a venda de ativos da Gafisa e da Tenda (braço de moradias populares do grupo) para a GP e o investidor Sam Zell. As negociações foram reveladas ontem pelo Portal Exame. A marca Alphaville, que está com a Gafisa há cinco anos, ficaria de fora do acordo. Procuradas para comentar o assunto, a gestora de recursos informou que, por enquanto, não se pronunciaria sobre o tema. A Equity International não respondeu às perguntas enviadas pela reportagem.

Analistas do setor de construção dizem que, no momento atual, "qualquer negócio" é interessante para a Gafisa. As ações do setor de construção civil caíram, em média, 43% no ano passado na bolsa.

O baque, no entanto, foi pior para a Gafisa: as ações da companhia perderam 66% em 2011. "O negócio é uma boa notícia para o setor como um todo. É sinal de que não vão deixar a empresa agonizar", diz o executivo de uma concorrente, que pediu para não ser identificado.

Como o mercado estava ávido por boas notícias sobre a construtora, a mera possibilidade da entrada de um novo sócio, mesmo com a compra de ativos selecionados, foi suficiente para alimentar as esperanças de investidores. Somente no pregão de ontem da BM&FBovespa, a ação da Gafisa teve alta de 5,74%, fechando o dia cotada a R$ 5,34. No acumulado de 2012, a valorização do papel já chega a 29%, a partir de um patamar baixo (R$ 4,12). No fim de 2010, o papel da Gafisa valia mais de R$ 12.

Fundamentos

A euforia dos últimos dias em relação à Gafisa não corresponde, segundo analistas, à realidade dos fundamentos da empresa. Das três marcas que compõem a construtora - Gafisa, Tenda e Alphaville -, somente a última, dedicada a loteamentos de alto padrão, apresenta resultados financeiros realmente saudáveis. "Acho que faltou um pouco de sangue frio dos investidores. Não vejo razão para correr para a Gafisa", disse o analista de um grande banco.

Os resultados relativos ao ano passado já divulgados mostram uma deterioração das margens da empresa. O lucro líquido caiu 67% entre janeiro e setembro de 2011, em relação ao ano anterior, e o nível de endividamento da construtora superava 75% do patrimônio líquido ao fim do terceiro trimestre.

Uma das medidas para evitar a "sangria" de recursos foi praticamente suspender os lançamentos da problemática operação da Tenda. Entre julho e setembro de 2011, foram lançados apenas dois empreendimentos com a marca Tenda, com 324 unidades e valor de venda de R$ 49 milhões - redução de 90% em relação a 2010. E a própria empresa já admitiu que o corte pode ser ainda mais profundo em 2012. Novos negócios só devem sair com garantia de financiamento da Caixa.

A "joia da coroa" para a Gafisa continua a ser a marca Alphaville. Por causa dos bons resultados, a Gafisa prevê expandir os loteamentos para mais 60 cidades em cinco anos. No entanto, a construtora tem uma obrigação referente à operação Alphaville para vencer. O contrato de compra previa que a companhia pagaria 60% à vista e os demais 40% em duas parcelas, em valores atualizados. A conclusão da aquisição exigirá, segundo apurou o Estado, desembolso de até R$ 20 milhões no mês que vem.

Um dos problemas para a Gafisa virar o jogo é a maturação de projetos de construção civil, que é longa. Quem entende de construção afirma que, mesmo com novos sócios, a "desova" de projetos problemáticos dificilmente poderá ser feita em menos de um ano e meio ou dois anos.


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