Google prepara entrada no mercado de eletrônicos
Empresa desenvolveu um ‘dispositivo de entretenimento doméstico’ para ouvir música da internet
SAN FRANCISCO - O Google está aperfeiçoando um dispositivo de entretenimento doméstico, informaram pessoas a par dos planos da companhia, num projeto que permitirá uma ampla investida da companhia no mercado de eletrônicos.
O aparelho, que existe como protótipo e será vendido como um item da marca, representa o mais importante empreendimento da companhia em hardware. Embora o objetivo inicial do aparelho seja ouvir música via streaming, sua aplicação poderá ser muito mais ampla.
Com a evolução da internet, as principais companhias do setor procuram criar ecossistemas completos, a fim de preservar seu predomínio no mercado. A Amazon, que começou como varejista, agora faz aparelhos de leitura. A Apple, que originalmente produzia somente hardware, agora vende conteúdo.
O Google ainda lucra principalmente com as buscas na internet. Mas, à medida que a computação se distancia do desktop e do laptop, a companhia não pode ficar marginalizada. O novo produto constitui uma estratégia para controlar projeto, produção e venda de um dispositivo de entretenimento, como seus concorrentes já fizeram com tanto sucesso.
Larry Page, que no ano passado assumiu a direção da companhia da qual foi um dos fundadores, cuidou da incorporação dessa nova modalidade. O aparelho de divertimento estava sendo desenvolvido durante mais de um ano, antes de o Google concluir um negócio de US$ 12,5 bilhões para a compra da Motorola Mobility, que produz celulares, a fabricante mais provável do dispositivo. A aquisição deverá se concluir na próxima semana.
A compra da Motorola - originalmente uma companhia que fabricava uma geração anterior dos sistemas de entretenimento domésticos antes de dar uma série de tropeços - colocará o Google na concorrência direta com as fabricantes de telefones que usam seu software Android, e também com a Apple e seu iPhone. Um porta-voz da Google não quis comentar o fato.
Embora o Google tenha falado abertamente dos seus projetos para as salas de estar dos consumidores, a notícia de que o aparelho estava se tornando uma realidade apareceu na semana passada, numa solicitação feita à Comissão Federal das Comunicações (FCC). No pedido, o Google disse que começará a testar um sistema que chamou simplesmente de "aparelho de entretenimento". O dispositivo terá Bluetooth e Wi-Fi e, como o Google observou no documento, "se conectará a outros eletrônicos espalhados pela casa".
A solicitação de autorização, que foi noticiada pela primeira vez pelo site de tecnologia GigaOM, informa que o Google testará antes o aparelho, no verão, nas casas dos funcionários, para avaliar a sua estabilidade.
Desconfiança. Os analistas desconfiam da aventura do Google na área do hardware, em que a concorrência é notoriamente feroz. A Apple tem seguidores leais, às vezes fanáticos, e margens de lucro de dar inveja. A Amazon está disposta a perder dinheiro com seus dispositivos e ganhar com as vendas de conteúdo. A maioria dos outros fabricantes de hardware tem uma tarefa muito mais difícil.
Mas o mercado considera que o Google não tem muita escolha. "O futuro do Google depende de sua capacidade de ampliar a sua influência além da tela do PC", disse James McQuivey, analista da Forrester. "A companhia fez um enorme progresso no celular, mas suas tentativas de conseguir o mesmo com a TV e o tablet fracassaram, porque os fabricantes de hardware não conseguiram se preparar com a devida rapidez." (Tradução de Anna Capovilla)
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