A fórmula do sucesso

As startups de EdTech - tecnologia aplicada à Educação - contribuem de forma crítica para evolução do setor mais importante de uma sociedade

Guy Perelmuter, O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2017 | 06h00

O secretário-geral da ONU entre 1997 e 2006, Kofi Annan, declarou: “Conhecimento é poder. A Informação liberta. A Educação é a premissa do progresso em todas as sociedades e em todas as famílias”. De fato, o sucesso de um país pode ser avaliado considerando-se a importância com a qual seu governo e sua sociedade tratam da Educação de seus cidadãos. Trata-se de um investimento de longo prazo, mas que, segundo Benjamin Franklin (1706-1790), cientista, político, estadista e diplomata, recompensa os investidores com os maiores juros de todos.

Sistemas educacionais podem ser avaliados de diversas formas, mas frequentemente os rankings são liderados pelos mesmos países, independente da metodologia utilizada: Finlândia, Singapura, Suíça, Bélgica, Japão, Coreia do Sul, Israel, França, Reino Unido, Dinamarca e Estados Unidos marcam presença maior ou menor dependendo do foco da pesquisa (ensino fundamental, médio ou superior) e do modelo da mesma. Além de investimento governamental em Educação, as políticas públicas desses países são voltadas para qualidade do ensino e qualificação profissional, buscando independência partidária e um eixo consistente a ser seguido por décadas.

As oportunidades e desafios que se apresentam em um mundo cada vez mais conectado e integrado colocam em questão séculos de práticas educacionais que precisam ser aprimoradas para acompanhar a evolução tecnológica que invade praticamente todos os domínios do conhecimento. O acesso à informação tornou-se virtualmente universal - seja através de buscas por respostas específicas, seja via cursos online de qualidade (que auxiliam, por exemplo, no processo de alfabetização e de aprendizagem de fundamentos matemáticos), seja para obter um diploma de curso superior.

As empresas de EdTech (Educação Tecnológica) desempenham um papel crítico em meio às mudanças estruturais que estão em andamento, buscando o desenvolvimento de ferramentas e/ou metodologias que estejam alinhadas com as principais correntes de pensamento pedagógico ou que ampliem os horizontes para a formação acadêmica e profissional. Conforme vimos na semana passada, o aumento da demanda por educação e a necessidade do mercado de trabalho por absorver profissionais mais qualificados garante de forma inequívoca o espaço e a importância deste tipo de startup.

Entre 2013 e 2016, de acordo com os dados coletados pela empresa CB Insights, quase US$ 9 bilhões foram investidos em startups do setor de educação. As teses de investimento são variadas, como era de se esperar: plataformas genéricas de aprendizado online (Coursera, Udacity), ensino de idiomas (iTutorGroup, Duolingo), educação infantil (Osmo, Kidaptive), cursos de tecnologia (littleBits, Galvanize), monitoramento e gestão (Schoology, Huivo), personalização da educação (AltSchool, Civitas Learning), preparação para exames (Revolution Prep) e complementos para sala de aula (Nearpod, Top Hat) são apenas alguns exemplos de uma área em plena expansão.

Os projetos em EdTech tipicamente não exigem novos equipamentos ou dispositivos, sendo quase que integralmente ancorados em software. Isso aumenta as chances para que a área se desenvolva no Brasil, que possui uma séria de iniciativas nesta área. Grupos educacionais privados buscam ativamente o investimento em novas empresas que possam alavancar seus métodos e ampliar o alcance de seus cursos para o maior número possível de estudantes. Com empresas como ClassApp, Gama Academy, Veduca, Geekie, Descomplica, AppProva e Affero Labs (que em 2015 foi uma das vinte e cinco companhias a levantar mais de US$ 50 milhões em investimentos conforme relatório da firma Ambient Insight), temos no mercado de EdTech a possibilidade de complementar e melhorar o pilar mais fundamental para a evolução institucional e social do país.

Junto com o desafio de educar um número crescente de alunos está o desafio econômico de colocá-los em instituições de ensino. No mundo todo, a indústria de empréstimos estudantis é uma questão preocupante - e mais uma área na qual a tecnologia está atuando. Semana que vem será a vez de falarmos de FinTech e das empresas que utilizam tecnologia para inovar no mercado financeiro. Até lá.

*Fundador da GRIDS Capital, é Engenheiro de Computação e Mestre em Inteligência Artificial

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