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À venda no Brasil, lucro do Citi salta mais de 600% em 2015

Na contramão do mercado, subsidiária do banco americano lucrou R$ 894,2 milhões no ano passado com a diminuição das provisões contra calote

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Aline Bronzati,
O Estado de S.Paulo

24 Março 2016 | 12h30

SÃO PAULO - O Citi no Brasil, cuja operação de varejo está à venda juntamente com as unidades da Argentina e da Colômbia, teve lucro líquido de R$ 894,224 milhões no ano passado, montante 617,2% maior que o visto em 2014, de R$ 124,680 milhões. O desempenho foi impulsionado, conforme demonstrações financeiras publicadas nesta quinta-feira, 24, por receitas, principalmente, com tesouraria e ainda o fato de o resultado do exercício anterior ter sido impactado por maiores provisões com devedores duvidosos (PDDs), quando os bancos tiveram de fazer um colchão por conta das perdas com as empresas de Eike Batista.

No ano passado, as PDDs do Citi recuaram quase 18%, para cerca de R$ 991 milhões, na contramão dos bancos locais que elevaram suas reservas em meio ao aumento dos calotes e expectativa de deterioração futura da qualidade dos ativos. O saldo dos dez maiores devedores do Citi seguiu em expansão ao ultrapassar os R$ 4 bilhões em 2015, montante 41,6% em relação a 2014. Como resultado, os créditos desses clientes passaram a representar 19,17% dos empréstimos do banco ante 16,98%. Em 2013, era de 11,58%.

A carteira de crédito do Citi no Brasil totalizou R$ 21,096 bilhões em 2015, 25,4% maior em relação ao ano anterior, de R$ 16,826 bilhões. Tal expansão ficou bem superior à entregue pelos grandes bancos que, em geral, foi de apenas um dígito, refletindo a deterioração da economia brasileira.

Na parte de receitas, o destaque, conforme demonstrações financeiras do Citi, foram os ganhos com tesouraria. Somente o resultado de operações com títulos e valores mobiliários, derivativos e câmbio teve injeção de mais de R$ 3,5 bilhões em 2015 na comparação com o ano anterior. Em contrapartida, as despesas de intermediação financeira aumentaram quase 68% na mesma base de comparação.

Em direção contrária aos bancos de varejo, as receitas com serviços do Citi encolheram 1,41%, para R$ 1,125 bilhão no ano passado. Além disso, suas despesas administrativas, considerando os gastos com pessoal, somaram R$ 2,7 bilhões, alta de 7,5%.

O Citi encerrou 2015 com cerca de R$ 76 bilhões em ativos totais, número 24,96% superior ao de 2014, de R$ 60,8 bilhões. O patrimônio líquido do banco cresceu 14,6% no ano passado na comparação com 2014, passando de R$ 6,7 bilhões para R$ 7,7 bilhões.

Em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras, o Citi ressalta que, em 19 de fevereiro deste ano, anunciou a intenção de vender suas operações de varejo no Brasil, antecipada pelo Broadcast, serviço de informações da Agência Estado, incluindo as áreas de cartões de crédito. Lembra ainda que, mesmo após se desfazer do negócios, manterá presença no Brasil para atender seus principais clientes corporativos e institucionais.

"Enquanto o processo de venda está em andamento, os negócios do banco de varejo e cartões de crédito continuarão operando normalmente, incluindo todas as agências e escritórios no País", destaca o Citi, em relatório.

Neste momento, o banco está separando os ativos da operação de varejo para, posteriormente, iniciar o processo de venda. A expectativa, conforme fontes ouvidas pelo Broadcast, é que essa etapa seja concluída em breve e as negociações comecem ainda antes do término do primeiro semestre.

Dentre os possíveis candidatos, segundo fontes, o Santander, que já confirmou interesse no Citi, é o principal deles, já que perdeu a disputa no ano passado pelo HSBC pelo Bradesco. O Itaú Unibanco também é visto como um potencial comprador embora, neste momento, esteja debruçado na integração com o chileno CorpBanca. Já o Bradesco é considerado um competidor com menos força, uma vez que sequer teve o aval do Cade para a compra do HSBC. Do lado dos bancos públicos, a restrição de capital, dizem fontes, deve deixá-los fora das negociações pelo Citi. Não descartam ainda a aparição de players menores na disputa pelo banco americano.

No Brasil, o Citi conta com uma rede de 71 agências. Esse número já chegou a ser maior, mas foi reduzido após o banco voltar-se para seu público foco, os correntistas de alta renda. Em paralelo, repaginou sua rede ao adotar o conceito de "smart branches" (agências inteligentes). Na Argentina, possui 70 agências e 55 na Colômbia.

O Citi informa ainda que, no âmbito do processo de reestruturação global para reduzir despesas e ser mais eficiente, detinha provisão remanescente para este fim de R$ 807 milhões correspondente a gastos com multa de contrato de aluguel, indenizações a funcionários e baixa de benfeitorias em imóveis de terceiros. 

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