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Kevin Moloney|NYT

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Abengoa negocia plano de socorro com credores

Grupo busca solução para evitar a maior falência da Espanha; no Brasil, onde empresa tem projetos parados, governo recebe notícia com cautela

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Reuters

11 Março 2016 | 05h00

A endividada elétrica espanhola Abengoa anunciou ontem que fechou uma primeira versão de um plano de socorro com credores para reduzir a dívida e injetar dinheiro novo na companhia, na mais recente tentativa de evitar o que seria a maior falência de uma empresa na Espanha.

A companhia, fundada há 70 anos como um negócio de engenharia em Sevilha, tomou grandes dívidas para expandir-se rumo ao setor de energia limpa, mas iniciou um processo preliminar de recuperação judicial no ano passado, quando os credores recusaram-se a prorrogar financiamentos à empresa.

Pela proposta, os credores emprestariam até ¤ 1,8 bilhão (US$ 2 bilhões) à Abengoa ao longo de um período de cinco anos, o que daria a eles direito a uma participação de 55% na companhia reestruturada, disse a Abengoa em comunicado.

Ao mesmo tempo, cerca de 70% das dívidas existentes seriam convertidas em capital, dando aos credores direito a 35% da empresa, afirmou a Abengoa.

Uma fonte próxima às conversas com os credores disse à Reuters na quarta-feira que a maior parte do crédito para a companhia poderá vir dos detentores de títulos, enquanto o total restante seria injetado pelos bancos.

A proposta em negociação já recebeu o apoio de credores que representam cerca de 40% da dívida, disse a fonte, mas convencer os outros 35% necessários para aprovar o plano de socorro pode ser difícil antes de 28 de março, prazo final para a companhia espanhola evitar um processo de insolvência.

Os atuais acionistas, incluindo o majoritário e membro da família fundadora da empresa, Felipe Benjumea, irão ter a fatia diluída para 5% da companhia reestruturada, conforme esse acordo, disse a Abengoa.

Brasil. A notícia foi recebida com cautela pelo governo brasileiro. Há dúvidas de que a solução encontrada pela empresa fora do País tenha capacidade de eliminar o emaranhado financeiro e administrativo em que a Abengoa se meteu no Brasil, comprometendo a operação de grandes projetos de geração nos próximos meses.

No País, a Abengoa detém principalmente linhas de transmissão em operação e em implementação, sendo que todas obras foram paralisadas no final do ano passado, quando a matriz iniciou o processo preliminar de recuperação judicial.

Internamente, o governo tem estruturado caminhos jurídicos para acessar as obras abandonadas pela empresa e repassá-las para outros investidores. A intervenção direta nos lotes de linhas de transmissão é uma das alternativas analisadas.

A maior preocupação do governo é encontrar um comprador para concluir as obras do chamado “linhão pré-Belo Monte”, um projeto de 1.854 km de extensão. Estimado em R$ 1,3 bilhão, o contrato foi vencido pelos espanhóis da Abengoa no fim de 2012, com o compromisso de ser entregue em fevereiro passado.

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