1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

Abengoa negocia plano de socorro com credores

- Atualizado: 11 Março 2016 | 05h 00

Grupo busca solução para evitar a maior falência da Espanha; no Brasil, onde empresa tem projetos parados, governo recebe notícia com cautela

Proposta da Abengoa recebeu apoio de credores que representam 40% da dívida
Proposta da Abengoa recebeu apoio de credores que representam 40% da dívida
A endividada elétrica espanhola Abengoa anunciou ontem que fechou uma primeira versão de um plano de socorro com credores para reduzir a dívida e injetar dinheiro novo na companhia, na mais recente tentativa de evitar o que seria a maior falência de uma empresa na Espanha.

A companhia, fundada há 70 anos como um negócio de engenharia em Sevilha, tomou grandes dívidas para expandir-se rumo ao setor de energia limpa, mas iniciou um processo preliminar de recuperação judicial no ano passado, quando os credores recusaram-se a prorrogar financiamentos à empresa.

Pela proposta, os credores emprestariam até ¤ 1,8 bilhão (US$ 2 bilhões) à Abengoa ao longo de um período de cinco anos, o que daria a eles direito a uma participação de 55% na companhia reestruturada, disse a Abengoa em comunicado.

Ao mesmo tempo, cerca de 70% das dívidas existentes seriam convertidas em capital, dando aos credores direito a 35% da empresa, afirmou a Abengoa.

Uma fonte próxima às conversas com os credores disse à Reuters na quarta-feira que a maior parte do crédito para a companhia poderá vir dos detentores de títulos, enquanto o total restante seria injetado pelos bancos.

A proposta em negociação já recebeu o apoio de credores que representam cerca de 40% da dívida, disse a fonte, mas convencer os outros 35% necessários para aprovar o plano de socorro pode ser difícil antes de 28 de março, prazo final para a companhia espanhola evitar um processo de insolvência.

Os atuais acionistas, incluindo o majoritário e membro da família fundadora da empresa, Felipe Benjumea, irão ter a fatia diluída para 5% da companhia reestruturada, conforme esse acordo, disse a Abengoa.

Brasil. A notícia foi recebida com cautela pelo governo brasileiro. Há dúvidas de que a solução encontrada pela empresa fora do País tenha capacidade de eliminar o emaranhado financeiro e administrativo em que a Abengoa se meteu no Brasil, comprometendo a operação de grandes projetos de geração nos próximos meses.

No País, a Abengoa detém principalmente linhas de transmissão em operação e em implementação, sendo que todas obras foram paralisadas no final do ano passado, quando a matriz iniciou o processo preliminar de recuperação judicial.

Internamente, o governo tem estruturado caminhos jurídicos para acessar as obras abandonadas pela empresa e repassá-las para outros investidores. A intervenção direta nos lotes de linhas de transmissão é uma das alternativas analisadas.

A maior preocupação do governo é encontrar um comprador para concluir as obras do chamado “linhão pré-Belo Monte”, um projeto de 1.854 km de extensão. Estimado em R$ 1,3 bilhão, o contrato foi vencido pelos espanhóis da Abengoa no fim de 2012, com o compromisso de ser entregue em fevereiro passado.

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em EconomiaX