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Economia

Raízen

Acionistas fecham acordo para vender Sem Parar por cerca de R$ 4 bilhões

Após meses de negociação, sócios como CCR, Raízen, Arteris e Ivan Toledo, fundador do negócio, teriam chegado a um consenso para repassar 100% da empresa de serviço de pagamento eletrônico à FleetCor

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Mônica Scaramuzzo,
O Estado de S.Paulo

05 Março 2016 | 05h00

SÃO PAULO - As negociações entre a companhia americana FleetCor e a STP, dona da Sem Parar, empresa de serviços de pagamento eletrônico para pedágios e estacionamentos, avançaram. A venda do controle da companhia poderá ser anunciada nos próximos dias, apurou o Estado. Todos os acionistas da STP teriam chegado a um acordo para vender 100% do negócio à companhia americana, segundo três fontes próximas à operação. O valor da transação, se toda a empresa for vendida, é de cerca de R$ 4 bilhões.

A STP tem como acionistas a concessionária CCR (com participação de 34,24%); o fundador do negócio, Ivan Toledo (com 31,33%); o fundo americano Capital Group (com 11,41%); a Raízen (joint venture entre Shell e o Grupo Cosan, com 10%); a empresa de tecnologia GSMP (8,34%); e a espanhola Arteris (4,68%). O Estado informou em janeiro que ainda não havia um consenso entre os acionistas para a venda de suas participações. O BTG Pactual é o assessor financeiro da STP.

“As conversas avançaram nas últimas semanas e a decisão é pela venda total do negócio”, disse um dos acionistas relevantes, que não quis se identificar.

Maior acionista da empresa, a CCR manteve o mesmo posicionamento de dia 18 de janeiro, quando divulgou fato relevante ao mercado, informando que recebeu e está analisando “uma oportunidade de alienação de sua participação acionária na STP, apresentada em caráter não vinculativo.” À época, a CCR não informou qual seria a empresa interessada no ativo.

Uma outra fonte familiarizada com a negociação afirmou que as conversas agora dependem de detalhes que envolvem acertos entre advogados que fazem parte da operação.

Procuradas, STP, FleetCor e Capital Group não retornaram os pedidos de entrevista. A Raízen, BTG e Arteris preferiram não comentar a operação. O fundador da Sem Parar, Ivan Toledo, e a empresa GSMP não foram encontrados pela reportagem para comentar.

Venda. Não é a primeira vez que a Sem Parar é colocada à venda. Em 2011, o grupo, fundado onze anos, já tinha sido sondado por vários investidores, incluindo fundos de private equity (que compram participações em empresas), entre eles, o americano Advent, e a própria FleetCor, uma das maiores empresas globais de cartões de pagamento de combustíveis, com receita líquida de US$ 1,2 bilhão em 2014.

O que pesou contra a venda, à época, foi a mudança regulatória do setor, que teve seu monopólio quebrado em 2013, com a entrada de concorrentes no mercado, como a ConectCar, empresa controlada pelo grupo Ultra, dono da Rede Ipiranga, e Itaú; a Auto Expresso DBTrans, que pertence ao próprio FleetCor, e Move Mais.

A receita da Sem Parar vem de clientes que usam pedágios, estacionamentos e postos de gasolina. Líder no segmento, a companhia é considerada um negócio atraente. Em agosto de 2013, a Raízen adquiriu 10% da Sem Parar e, no ano seguinte, a Ecovias vendeu sua fatia na STP ao fundo Capital Group.

Também em 2014, a Sem Parar anunciou um acordo para integrar o serviço de abastecimento da rede de combustíveis Shell com os aparelhos da Sem Parar. Esse movimento foi uma resposta à expansão da ConectCar, que tem os postos Ipiranga como ponto de venda.

Em 2014, a receita líquida da STP foi de R$ 744,5 milhões e o lucro líquido de R$ 131 milhões. O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ficou em R$ 325 milhões. A empresa opera em 12 Estados e tem 5 milhões de clientes.

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