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José Patrício|Estadão

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Advent capta fundo global de US$ 13 bi e analisa ativos no Brasil

Fundo afirma ter interesse tanto em empresas de médio porte (com valor acima de US$ 50 mi), quanto em negócios bilionários; de acordo com fontes, Advent está na briga pela BR Distribuidora, da Petrobrás

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Cátia Luz,
O Estado de S.Paulo

23 Março 2016 | 05h00

Uma das maiores gestoras globais de private equity (que compram participações em empresas), a americana Advent International anunciou nesta terça-feira, 22, a conclusão da captação de um fundo global de US$ 13 bilhões, que pode ter até 20% do valor investido em mercados emergentes, como o Brasil. “A crise no País nos abre oportunidade de brigarmos sozinhos por ativos de grande porte e de alta qualidade”, afirma Patrice Etlin, sócio da Advent International.

Além da ajuda do dólar valorizado, a gestora ganha flexibilidade ao poder combinar os recursos do fundo global com o fundo regional de US$ 2,1 bilhões que tem para a América Latina. “Com isso, podemos buscar tanto empresas de middle market (médio porte), tipicamente com valor a partir de US$ 50 milhões, assim como empresas significativamente maiores, com valor de US$2 bilhões ou mais”, diz Etlin.

De acordo com fontes próximas à negociação, a Advent teria entregue uma proposta preliminar por uma participação majoritária na BR Distribuidora, da Petrobrás. O grupo Ultra e a gestora canadense Brookfield também estariam entre os interessados. Questionado, Etlin preferiu não comentar.

A BR Distribuidora, dona da maior rede de postos de combustíveis do País, é um dos principais negócios à venda da estatal, que pretende se desfazer de cerca de US$ 14 bilhões em ativos este ano. A empresa tem sido afetada pela queda na cotação do petróleo e pelas investigações de corrupção da Lava Jato. Com as incertezas sobre os desdobramentos da operação da Polícia Federal, os investidores estariam interessados apenas em fatias majoritárias dos ativos, garantem fontes.

Risco. Segundo Etlin, mesmo com as incertezas no cenário político e a alta do risco país, o Brasil continua sendo um mercado atrativo aos olhos do investidor estrangeiro. “Apesar dos anos difíceis que teremos pela frente, o Brasil tem boas oportunidades para quem tem visão de médio prazo”, diz Etlin.

Professor de organização e estratégia da escola de negócios Insper, Sérgio Lazzarini explica que, comparado a outros emergentes, como Rússia, China e Índia, o Brasil tem um ambiente institucional melhor – condição crucial para investidores. “Na América Latina, o aspecto positivo do Brasil em relação a seus pares é a economia diversificada e o mercado consumidor maior.”

Para Etlin, o mercado brasileiro já considera a possibilidade de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Mas, segundo ele, esse movimento, se houver, “não será fácil nem indolor”. “Teremos ainda muita volatilidade pela frente.”

Dinheiro novo. Os recursos do novo fundo global da Advent foram captados em menos de seis meses e devem ser aplicados em setores como saúde, serviços financeiros, educação e consumo. No Brasil, além desses segmentos, a gestora tem uma atuação mais forte na área de infraestrutura, com participação no Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) e na concessionária Cataratas do Iguaçu S.A., que presta serviços em parques nacionais brasileiros.

No ano passado, a gestora comprou 13% da Core Participações, um dos controladores do laboratório Fleury, e a Faculdade Serra da Gaúcha, que marcou a volta do fundo para o setor de educação, após a gestora lucrar no passado com a maior empresa do setor, a Kroton.

Dentro do portfólio brasileiro, as maiores dificuldades são enfrentadas pelos negócios expostos ao consumo, que perderam fôlego com a piora do poder de compra da população, como a Restoque (dona de marcas da moda como Le Lis Blanc e Dudalina) e a rede de material de construção Quero Quero.

Apetite. Apesar da disposição da Advent em investir no País, houve no acumulado deste ano uma queda de 30% no total de fusões e aquisições realizadas no mercado brasileiro envolvendo fundos de private equity.

De acordo com levantamento feito pela consultoria Transaction Track Record (TTR), em janeiro e fevereiro foram registradas 13 transações com participação de fundos de private equity, sendo que as sete que tiveram seu valor divulgado movimentaram R$ 6,56 bilhões.

Entre os setores de maior interesse dessas gestoras estão mineração, imobiliário, turismo e restaurantes. No acumulado do ano, o mercado de fusões e aquisições brasileiro registrou 111 transações, contra 160 operações no mesmo período do ano passado.

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