Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Airbnb concentra turista estrangeiro, que gasta mais

Turistas de fora do País representam 32% dos hóspedes da plataforma Airbnb, enquanto na rede hoteleira são apenas 6,5%

Renata Agostini, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2017 | 05h00

Os gastos de turistas que optaram por hospedagens do Airbnb, site que facilita o aluguel de casas e quartos por temporada, somaram em 2016 o triplo, em média, dos feitos por viajantes que ficaram em hotéis tradicionais, indicou estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). 

Essa diferença no consumo decorre, em parte, da maior presença de estrangeiros na plataforma, explica Moisés Diniz Vassalo, um dos responsáveis pela pesquisa. Enquanto na rede hoteleira (hotéis, pousadas e resorts), os turistas de fora do País são 6,5% do total de hóspedes, no Airbnb eles são 32%.

“Como vem de longe, o estrangeiro costuma ficar mais tempo no destino, o que naturalmente aumenta o gasto. Além disso, ele tende a ter poder aquisitivo maior e, assim, potencial de gasto mais alto”, afirma.

Essa taxa tão elevada de estrangeiros pode ser explicada pelo ainda baixo conhecimento da plataforma entre os brasileiros e pelo fato de, em 2016, a Olimpíada ter atraído ao País muitos visitantes de fora.

Também impulsiona o gasto médio do viajante do Airbnb o fato de não haver serviço de refeição associada à hospedagem, como o café da manhã. Com isso, o turista busca mais os serviços locais. Depois do comércio, o maior desembolso dos que se hospedam pelo site é com alimentação, aponta o estudo.

Segundo a Fipe, por causa desse perfil de consumo, os hóspedes do site americano injetaram na economia brasileira, em 2016, R$ 788 milhões a mais do que o turista hospedado na rede hoteleira tradicional. A conta desconsidera o desembolso com a hospedagem em si.

Os cálculos foram feitos pela Fipe a partir de dados coletados dos usuários pelo próprio Airbnb de janeiro a dezembro de 2016. Para as comparações, a fundação usou informações de pesquisas feitas regularmente por ela sobre o turismo no País.

No total, o Airbnb, diz a Fipe, adicionou quase R$ 2,5 bilhões ao Produto Interno Bruto do País. Em São Paulo, onde foram feitas 93 mil hospedagens pela plataforma no ano passado, o valor adicionado à economia estadual foi de R$ 176 milhões.

Perfil. O Airbnb tem no País atualmente quase 90 mil anfitriões, como são chamados aqueles que anunciam suas casas pelo site. Em 2016, eles ganharam, em média, R$ 6.070 com a hospedagem de quartos ou moradias inteiras. Quase um quinto dos anfitriões disse ter usado o dinheiro levantado com o aluguel para evitar despejo ou perda do imóvel, indicaram pesquisas conduzidas pelo Airbnb com seus usuários.

A plataforma contabilizou 1 milhão de hospedagens em todo o País. O Rio de Janeiro liderou em número de residências anunciadas.

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