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Airbus compra controle de jatos C-Series da Bombardier

Associação entre gigante europeia e canadense levanta questões sobre futuro da Embraer e de sua parceria com a Boeing

Andrei Netto, correspondente, O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2017 | 14h08

A gigante aeronáutica Airbus anunciou nesta terça-feira, 17, em sua sede em Toulouse, na França, a aquisição do programa CSeries de aviões de entre 100 e 150 lugares, associando-se à canadense Bombardier.

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A aproximação entre as duas empresas levará a companhia europeia a assumir 50,01% das ações da CSeries Aircraft Limited Partnership (CSALP), sociedade criada pela holding canadense para permitir a venda de seu projeto mais ambicioso, que se tornou um fracasso financeiro nos últimos três anos. 

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Na sociedade, a Bombardier manterá uma participação minoritária, de 30% do capital, e o fundo de investimentos da província canadense do Quebec terá outros 19% das ações. 

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A iniciativa é uma tentativa extrema de salvar as contas da holding, que investiu o equivalente a € 5,1 bilhões no programa na tentativa de superar sua principal concorrente, a brasileira Embraer, mas sem sucesso até aqui. A expectativa da Bombardier é utilizar a experiência da Airbus para impulsionar suas vendas. 

“É um mercado que não foi bem servido nos últimos anos porque não houve um novo avião na gama de 100 a 150 lugares”, afirmou Alain Bellemare, diretor-presidente da Bombardier, que definiu a Airbus como “o parceiro perfeito”. “É um momento determinante para a Bombardier.”

Nos EUA, a direção da Boeing reagiu em uma manifestação via Twitter na qual classificou o entendimento como “um acordo discutível entre dois concorrentes que dependem muito das subvenções de Estado”.

Mesma moeda. Na Europa, a associação entre Airbus e Bombardier relançou a expectativa de que a Boeing responda na mesma moeda, buscando um acordo similar com a Embraer. As duas companhias já têm parcerias em áreas como segurança de pistas e combustíveis alternativos, além das vendas e do marketing do avião de transporte militar brasileiro KC-390. 

Para analistas da área ouvidos pela agência Reuters nos EUA, uma das alternativas que a Boeing tem pela frente é justamente buscar uma parceria aprofundada com a Embraer, cujos aviões da família E2 – E175, E190 e E195 – bateram os do programa CSeries da Bombardier nos últimos anos.

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