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Apesar da crise, Volvo prevê investir R$ 1 bi na América Latina em 3 anos

Cerca de 90% do total a ser aplicado pela montadora sueca na região ficará no Brasil; depois de fortes quedas nas vendas nos últimos anos, empresa espera crescimento de aproximadamente 10% para o mercado de caminhões e de até 15% para o de ônibus

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Cleide Silva ,
O Estado de S.Paulo

15 Fevereiro 2017 | 05h00

O grupo Volvo, fabricante de caminhões e ônibus em Curitiba (PR), vai investir R$ 1 bilhão (US$ 320 milhões) na América Latina nos próximos três anos. Cerca de 90% do montante será aplicado no Brasil, principalmente no desenvolvimento de novos produtos e na modernização da fábrica. O novo plano de investimentos é menor que o anterior, que foi de US$ 500 milhões.

Segundo o presidente da Volvo América Latina, Wilson Lirmann, o plano anterior contemplava a maior parte do projeto de renovação de todos os produtos da marca e, agora, o aporte será voltado à complementação de linhas de produtos e à atualização de equipamentos da fábrica.

A Volvo é a quarta montadora a divulgar investimentos no País nos últimos três meses. MAN Latin America, Toyota e Volkswagen anunciaram novos planos que somam R$ 9,1 bilhões nos próximos cinco anos.

A Volvo atua nos segmentos de caminhões pesados e semipesados, que no ano passado vendeu ao todo 29,6 mil unidades, depois de ter atingido 103,7 mil veículos em 2013. “Voltamos aos patamares de 2002”, diz o diretor comercial da empresa, Bernardo Fedalto. Em relação a 2015, os negócios de todas as fabricantes recuaram 28,8%.

Para este ano, a Volvo trabalha com crescimento de até 10% nas vendas totais de caminhões, sendo que a marca sueca espera manter a liderança no segmento de grande porte, na casa dos 27% obtidos no ano passado. Esses veículos são utilizados principalmente no transporte de cargas, como minérios e bebidas. O maior impulso para os negócios deve vir da área de agronegócios com a necessidade de mais caminhões para o transporte de grãos.

Para o segmento de ônibus a previsão é de crescimento de 10% a 15% no mercado total, que no passado somou 11,1 mil unidades. A Volvo espera vender 700 ônibus rodoviários e urbanos, ante 644 em 2016.

Segundo Lirmann, a fábrica de Curitiba opera com ociosidade similar a de outras fabricantes do ramo, de cerca de 60%. Atualmente emprega 3 mil pessoas. No ano passado, 400 funcionários deixaram a unidade, boa parte por meio de um Programa de Demissão Voluntária (PDV), após uma reestruturação do quadro de pessoal. “Hoje estamos com o quadro adequado para o mercado atual”, diz.

A fábrica paranaense exporta mais da metade de sua produção para países da América do Sul, especialmente Argentina, Chile, Colômbia e Peru. Juntando as atividades nas áreas de máquinas de construção (com fábrica em Penedo, em São Paulo), náutica e financeira, a empresa faturou R$ 4,8 bilhões em 2016, uma queda de 12,7% em relação ao ano anterior. “Conseguimos, porém, equilibrar nossas operações, principalmente com as exportações”, informa Lirmann. A filial brasileira já foi a segunda maior em vendas para o grupo, mas hoje ocupa a quinta colocação.

Sem motorista. A Volvo se prepara para sair na frente no Brasil no segmento de veículos que dispensam o motorista. “Em breve”, segundo Lirmann, a montadora apresentará os resultados de testes feitos com um caminhão semiautônomo em uma fazenda de cana no Paraná.

Um operador é mantido na cabine do veículo, mas não interfere nos movimentos. O executivo apenas adianta que o caminhão percorre a plantação pelas ruas que separam o canavial sem passar por cima da plantação. Na Suécia, a Volvo já tem um caminhão totalmente autônomo (sem motorista) operando em uma mina subterrânea de minérios como zinco e alumínio. Testes também começam a ser feitos em estradas do país.

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