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Após 6 anos, CSA tenta, de novo, obter licença para operar

Marcada por falhasoperacionais e questões ambientais, siderúrgicabuscará receber o avaldefinitivo em abril

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Mariana Durão,
O Estado de S.Paulo

26 Março 2016 | 05h00

RIO - Marcada por falhas operacionais e problemas ambientais no início de sua operação, há seis anos, a ThyssenKrupp CSA (Companhia Siderúrgica do Atlântico) chega a 2016 enfrentando a crise do setor – que faz o negócio operar com margens negativas – e também uma questão particular: a ausência de licença ambiental definitiva de operação. Para enfrentar o primeiro problema, a empresa busca reduzir custos e ganhar eficiência. Para tentar resolver o segundo, passará em abril, novamente, pelo crivo das autoridades ambientais.

Hoje, a empresa funciona graças a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com as autoridades ambientais, firmado em 2012. O prazo do TAC – que foi feito após o bairro de Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro, ter sido atingido por um tipo de poluição conhecido como “chuva de prata” – termina em 16 de abril.

O documento exigia a execução de 130 ações para melhora do processo de produção. No entanto, em 2014, o termo expirou sem que todos os pontos fossem cumpridos pela CSA. A empresa ganhou mais dois anos para acertar seus processos. Segundo a companhia, ao fim do ano passado 93% do plano estavam concluídos. Os outros 7%, disse, estarão em dia nas próximas semanas.

A principal exigência atendida foi a adequação do descarte emergencial de ferro-gusa, antes feito a céu aberto. No novo sistema, o gusa é vertido em galpões fechados. Grafite e demais partículas geradas são capturados por sucção. A CSA investiu R$ 33 milhões no projeto.

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) diz que o TAC está em fase de avaliação. O órgão não informa quais as consequências caso o acordo não seja 100% atendido. Enquanto se apressa para acertar as falhas ambientais, a CSA recorre de três multas: duas de R$ 2 milhões e uma de R$ 10,5 milhões.

Futuro. A obtenção da licença de operação é um dos principais desafios da CSA em 2016. O ponto é determinante para o futuro do negócio. A primeira opção das sócias – ThyssenKrupp e Vale, com 73,13% e 26,87% do negócio, respectivamente – seria a venda da operação. O problema é que, nas atuais condições do mercado, a hipótese é pouco provável.

Apesar de os sócios buscarem a venda, a CSA vem – ao contrário de suas pares – preservando empregos e mantendo ritmo de produção rumo à capacidade de 5 milhões de toneladas ao ano. “A velocidade disso depende de como o mercado vai reagir”, disse ao Estado o presidente da siderúrgica, Walter Medeiros.

O executivo explica que, com o fechamento de usinas de placas no Hemisfério Norte, na crise de 2008, a demanda pelo produto da CSA cresceu. Diante disso, por enquanto, não há perspectiva de redução do quadro de quase 3,8 mil funcionários.

Atualmente a usina opera com 80% da capacidade, fabricando 4 milhões de toneladas de placas por ano. Uma das vantagens da CSA é ter um contrato de venda anual de 2 milhões de toneladas de placas até 2019 à laminadora de Calvert, no Alabama, Estados Unidos, vendida em 2013 pela ThyssenKrupp ao consórcio ArcelorMittal e Nippon Steel & Sumitomo.

Apenas 10% das placas produzidas em Santa Cruz ficam no mercado interno. Os principais clientes da CSA são Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e Usiminas, que paralisaram unidades em Volta Redonda (RJ) e Cubatão (SP) – ambas teriam a intenção de ampliar compras.

Apesar de ter clientes fixos, a CSA opera hoje com margem negativa. Segundo Medeiros, a combinação do câmbio favorável à exportação e da queda de preços de insumos, como minério de ferro, não compensou a depreciação dos preços do aço. Em 15 meses a cotação da placa despencou 50%.

No primeiro trimestre do ano fiscal 2015/2016, a CSA teve uma queda de 30% na receita, para ¤ 350 milhões de euros. O lucro operacional ficou negativo em ¤ 74 milhões e a margem no vermelho (-21,2%).

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