1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

Após 6 anos, CSA tenta, de novo, obter licença para operar

- Atualizado: 26 Março 2016 | 05h 00

Marcada por falhasoperacionais e questões ambientais, siderúrgicabuscará receber o avaldefinitivo em abril

Depois de problema ambiental, em 2010, empresa gastou R$ 33 milhões para readequar suas operações
Depois de problema ambiental, em 2010, empresa gastou R$ 33 milhões para readequar suas operações
RIO - Marcada por falhas operacionais e problemas ambientais no início de sua operação, há seis anos, a ThyssenKrupp CSA (Companhia Siderúrgica do Atlântico) chega a 2016 enfrentando a crise do setor – que faz o negócio operar com margens negativas – e também uma questão particular: a ausência de licença ambiental definitiva de operação. Para enfrentar o primeiro problema, a empresa busca reduzir custos e ganhar eficiência. Para tentar resolver o segundo, passará em abril, novamente, pelo crivo das autoridades ambientais.

Hoje, a empresa funciona graças a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com as autoridades ambientais, firmado em 2012. O prazo do TAC – que foi feito após o bairro de Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro, ter sido atingido por um tipo de poluição conhecido como “chuva de prata” – termina em 16 de abril.

O documento exigia a execução de 130 ações para melhora do processo de produção. No entanto, em 2014, o termo expirou sem que todos os pontos fossem cumpridos pela CSA. A empresa ganhou mais dois anos para acertar seus processos. Segundo a companhia, ao fim do ano passado 93% do plano estavam concluídos. Os outros 7%, disse, estarão em dia nas próximas semanas.

A principal exigência atendida foi a adequação do descarte emergencial de ferro-gusa, antes feito a céu aberto. No novo sistema, o gusa é vertido em galpões fechados. Grafite e demais partículas geradas são capturados por sucção. A CSA investiu R$ 33 milhões no projeto.

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) diz que o TAC está em fase de avaliação. O órgão não informa quais as consequências caso o acordo não seja 100% atendido. Enquanto se apressa para acertar as falhas ambientais, a CSA recorre de três multas: duas de R$ 2 milhões e uma de R$ 10,5 milhões.

Futuro. A obtenção da licença de operação é um dos principais desafios da CSA em 2016. O ponto é determinante para o futuro do negócio. A primeira opção das sócias – ThyssenKrupp e Vale, com 73,13% e 26,87% do negócio, respectivamente – seria a venda da operação. O problema é que, nas atuais condições do mercado, a hipótese é pouco provável.

Apesar de os sócios buscarem a venda, a CSA vem – ao contrário de suas pares – preservando empregos e mantendo ritmo de produção rumo à capacidade de 5 milhões de toneladas ao ano. “A velocidade disso depende de como o mercado vai reagir”, disse ao Estado o presidente da siderúrgica, Walter Medeiros.

O executivo explica que, com o fechamento de usinas de placas no Hemisfério Norte, na crise de 2008, a demanda pelo produto da CSA cresceu. Diante disso, por enquanto, não há perspectiva de redução do quadro de quase 3,8 mil funcionários.

Atualmente a usina opera com 80% da capacidade, fabricando 4 milhões de toneladas de placas por ano. Uma das vantagens da CSA é ter um contrato de venda anual de 2 milhões de toneladas de placas até 2019 à laminadora de Calvert, no Alabama, Estados Unidos, vendida em 2013 pela ThyssenKrupp ao consórcio ArcelorMittal e Nippon Steel & Sumitomo.

Apenas 10% das placas produzidas em Santa Cruz ficam no mercado interno. Os principais clientes da CSA são Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e Usiminas, que paralisaram unidades em Volta Redonda (RJ) e Cubatão (SP) – ambas teriam a intenção de ampliar compras.

Apesar de ter clientes fixos, a CSA opera hoje com margem negativa. Segundo Medeiros, a combinação do câmbio favorável à exportação e da queda de preços de insumos, como minério de ferro, não compensou a depreciação dos preços do aço. Em 15 meses a cotação da placa despencou 50%.

No primeiro trimestre do ano fiscal 2015/2016, a CSA teve uma queda de 30% na receita, para ¤ 350 milhões de euros. O lucro operacional ficou negativo em ¤ 74 milhões e a margem no vermelho (-21,2%).

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em EconomiaX