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Agência Petrobrás

Após ter baixa contábil de R$ 49 bi em balanço, Petrobrás diz que 2015 foi ano 'atípico'

Baixas contábeis surpreenderam negativamente o mercado; campo que teve o maior impairment deve ter resultado positivo no futuro, segundo a companhia

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Antonio Pita e Fernanda Nunes,
O Estado de S.Paulo

22 Março 2016 | 11h35

Após registrar baixas contábeis (impairment) de R$ 49 bilhões em 2015, número que foi considerado elevado por analistas, a Petrobrás disse que considera 2015 um ano atípico de baixas devido ao impacto das cotações. Em teleconferência realizada na manhã desta terça-feira, 22, a Petrobrás detalhou os campos em que houve impairment. Em 2015, a companhia teve prejuízo recorde, de R$ 34,8 bilhões.

Segundo a empresa, a principal baixa foi no campo de Papa-Terra na Bacia de Campos (R$ 8,7 bilhões), seguido de Polo Centro-Sul (R$ 4,6 bilhões), Pólo Uruguá (R$ 3,8 bilhões), Espadarte (R$ 2,3 bilhões), Linguado (R$ 1,9 bilhão), Polo CVIT (R$ 1,5 bilhão), Piranema (R$ 1,3 bilhão), Lapa (R$ 1,2 bilhão), Bicudo (R$ 900 milhões), Frade (R$ 800 milhões), Badejo (R$ 700 milhões) e outros (R$ 5,8 bilhões).

De acordo com a diretora de Exploração e Produção da Petrobrás, Solange Guedes, os ativos do segmento foram avaliados com base nas cotações internacionais de longo prazo. "O exercício de teste de provisionamento ou recuperação de impairment é feito todos os anos. Esse é um ano atípico de impairment por causa da magnitude do impacto dos preços", informou Solange. "Os preços foram testados em todos os ativos da companhia sob uma perspectiva de preço a longo prazo, e não só a queda no preço realizada no último ano. Os ativos de E&P falam com prazos de 30 anos", sinalizou.

Ao todo, houve baixa contábil em 87 campos no Brasil, além de dois no exterior. Nos Estados Unidos, a baixa foi de R$ 1,8 bilhão e na Bolívia, R$ 600 milhões.

Solange Guedes afirmou que o campo de Papa-Terra teve o projeto revisto e deve apresentar resultados positivos no futuro. O campo foi o que apresentou maior baixa contábil no resultado financeiro de 2015. "Existe expectativa de alcançar cenário mais otimista do que o planejado", disse Solange.

Gasolina. A Petrobrás já sente a concorrência da importação de gasolina e óleo diesel. Em 2015, as vendas dos dois derivados de petróleo caíram, em parte, por conta da queda da participação de mercado, informou o gerente-executivo de Relações com Investidores, Lucas Tavares de Mello. No total, a queda foi de 9%.

O total comercializado de gasolina passou de 620 mil barris por dia para 553 mil barris por dia. Já a venda do óleo diesel passou de 1 milhão de barris por dia para 923 mil barris por dia. Além da perda de market share, a Petrobrás destaca que, no caso da gasolina, o resultado piorou também por causa do aumento da adição do álcool anidro. A proporção de adição de álcool passou de 25% para 27%. No caso do diesel, houve queda de demanda por parte do segmento de obras de infraestrutura. E também aumentou a adição de biodiesel ao combustível. A venda de naftas foi afetada pela queda do consumo pela Braskem.

Nesta segunda-feira, o presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, afirmou que, se a concorrência com importados ameaçar os negócios, a empresa vai avaliar a possibilidade de reduzir os seus preços internos.

Reforço de caixa. A Petrobrás informou que pretende finalizar o ano de 2016 com um saldo de caixa de US$ 21 bilhões. Para tanto, a companhia prevê uma nova captação no montante de US$ 1 bilhão. De acordo com a apresentação, a estatal iniciou o exercício deste ano com caixa de US$ 26 bilhões. "Na perspectiva para 2016, não há previsão de pagamento de dividendos", ressaltou Ivan Monteiro, durante a apresentação.

A companhia também informou uma queda de 2% nas despesas gerenciais em 2015, que totalizou R$ 11 bilhões. A queda foi derivada, sobretudo, da redução de gastos com consultorias e serviços de processamento de dados.

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