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ArcelorMittal vê melhora em setor industrial do Brasil no 2o semestre

ALBERTO ALERIGI JR. - REUTERS

08 Julho 2014 | 12h 22

O maior grupo siderúrgico do mundo ArcelorMittal espera uma melhora na performance do setor industrial brasileiro na segunda metade do ano, algo que deve ajudar os produtores de aços planos do Brasil a evitar concessões de descontos em seus preços no período.

"Temos sinalização de vários clientes nossos de que o pessoal vai ter que voltar a produzir com o final desses feriados forçados" causados pelos jogos da Copa do Mundo no Brasil, disse em entrevista à Reuters o presidente da ArcelorMittal Brasil, Benjamin Baptista.

"Todo mundo reduziu seus níveis de estoque até agora, mas a medida que a atividade econômica comece a se recuperar, com os pedidos de fim de ano, a expectativa é que teremos uma melhoria na atividade industrial a partir de agosto", disse Baptista, que também é presidente para o segmento de aços planos da companhia para América do Sul.

Relatório do Goldman Sachs no final de junho apontou para possibilidade das usinas produtoras de aços planos -- Usiminas, CSN e ArcelorMittal -- terem de conceder descontos sobre seus preços nos próximos meses diante da demanda interna pouco pujante e importações elevadas.

Baptista, porém, afirmou que se houver confirmação da expectativa de melhora na atividade industrial do país, "não vejo razão para isso acontecer (concessão de descontos)".

Ele citou que os preços de matérias-primas pararam de cair e que o mercado tem visto melhora nos preços do minério de ferro, que na sexta-feira fecharam a terceira semana consecutiva em alta, subindo aos maiores níveis desde o final de maio.

Além disso, as montadoras brasileiras, grandes clientes da ArcelorMittal, esperam alta de 13,2 por cento na produção de veículos no segundo semestre sobre a primeira metade de 2014, de acordo com estimativas divulgadas nesta segunda-feira. Porém, a melhora não será suficiente para reverter uma queda de 10 por cento prevista pelo setor para o ano todo.

FORNO RELIGADO

Para atender a maior demanda esperada para o segundo semestre, a ArcelorMittal religou no domingo o alto-forno 3 da usina de Tubarão, no Espírito Santo, equipamento que estava parado desde o final de 2012.

O religamento dará à empresa sobra de placas de aço --produto semiacabado que pode ser laminado para se transformar em uma série de outros itens como capôs para carros e tubulações para petróleo-- para vender no mercado interno.

"Estávamos fora desse mercado (interno de placas) até agora com o nível de produção que vínhamos fazendo (antes do religamento do alto-forno 3)", disse Baptista.

Com o acendimento do forno, que deve demorar 30 dias para atingir capacidade plena de 2,5 milhões de toneladas de placas, a usina de Tubarão elevará sua capacidade para 7 milhões de toneladas por ano. Além disso, o forno deve contribuir para cortar os custos fixos da usina em 30 por cento, disse o executivo.

Como a usina de Tubarão tem um laminador para processar 4 milhões de toneladas de placas por ano, a empresa ficará com excedente de 3 milhões de toneladas de placas, das quais 1 milhão serão exportadas para a laminadora que a ArcelorMittal comprou da ThyssenKrupp em conjunto com a Nippon Steel nos Estados Unidos no final do ano passado.

As 2 milhões de toneladas de placas restantes serão destinadas ao mercado interno e para clientes fora do Brasil, disse o executivo, sem especificar qual a fatia que será destinada aos clientes no Brasil.

A usina de Tubarão produziu de janeiro a maio 1,775 milhão de toneladas de aço, 5 por cento a menos do que o produzido no mesmo período do ano passado, por causa de problemas em algumas áreas produtivas que já foram resolvidos, disse Baptista.

A produção de aço bruto do Brasil de janeiro a maio caiu 0,8 por cento sobre um ano antes, a 14 milhões de toneladas, enquanto a produção de placas avançou 6 por cento, para 2,1 milhões de toneladas, segundo dados do IABr.

FUTURO INCERTO

Sobre o cenário para 2015, o executivo espera "mais um ano difícil", independente de quem for eleito nas eleições presidenciais de outubro. "Qualquer governo que tome posse vai ter grande trabalho para estabilizar a economia. O que precisamos na área industrial é de ajuste do nosso câmbio", disse ele.

O executivo afirmou que os planos para um novo laminador de tiras a quente na usina de Tubarão, que exigiria investimentos de cerca de 1 bilhão de dólares, ainda estão "em banho-maria", à espera de uma recuperação econômica mais forte e maior confiança sobre a economia do Brasil. Em meados de 2012, os planos envolviam início da construção em 2013, com o laminador ficando pronto no segundo semestre de 2015.

O equipamento servirá para transformar o excedente de placas de aço da unidade em produtos de maior valor agregado destinados ao mercado interno.

"Nesse momento, não temos essa certeza de que teremos mercado para isso", afirmou Baptista.