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Bacia de Pelotas, perto do Uruguai, deve entrar leilão de 2015, diz ANP

RODRIGO VIGA GAIER - REUTERS

02 Setembro 2014 | 14h 47

A Bacia de Pelotas, perto do Uruguai, deve ser a novidade na próxima rodada de licitações de áreas exploratórias de petróleo do Brasil, prevista para meados do ano que vem, segundo uma fonte da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A bacia marítima, localizada no sul do país, deve ser incluída no certame que está em fase de preparação para provavelmente ocorrer em junho de 2015, e é uma aposta da ANP para atrair interessados, segundo a fonte, que preferiu não ser identificada.

O estímulo para explorar a região vem do vizinho Uruguai, que recentemente promoveu uma rodada em uma área próxima à bacia brasileira --o certame uruguaio foi considerado pela indústria bem-sucedido.

"Será nossa aposta, provavelmente na décima terceira rodada", disse a fonte à Reuters. "O Uruguai fez numa área bem próxima dali e foi bem-sucedido. Entraram empresas grandes e foi legal", adicionou.

O foco do certame de 2015, que ainda depende de aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), será a chamada "margem leste", disse anteriormente a diretora-geral da ANP, Magda Chambriard.

A margem leste vai desde a bacia Sergipe-Alagoas, no Nordeste, até o Sul do país.

"Se as empresas ficaram atraídas pelo Uruguai e a estrutura da bacia é quase a mesma de Pelotas, vale a pena testar. Se os resultados lá forem interessantes, esquenta o lado de cá do Brasil", afirmou a fonte. “É uma aposta inicial que pode ter potencial”, adicionou.

Além de Pelotas, devem ser incluídas na décima terceira rodada blocos nas bacias de Campos e Sergipe-Alagoas, de acordo com a fonte.

"Ali em Sergipe-Alagoas tem um cluster interessante e em breve vai acontecer", frisou.

Procurado, o geólogo e ex-diretor da ANP John Forman disse considerar interessante a aposta da ANP na bacia de Pelotas na décima terceira rodada.

Segundo ele, em tese há similaridade entre as bacias brasileira e uruguaia que justificaram a inclusão dessa área em um leilão.

"Pelotas é uma bela bacia, a Petrobras já perfurou lá, mas não encontrou nada. Ali tem os famosos nitritos... como a água é fria, você congela os nitritos e pode produzir gás a partir dele. Isso por si só identifica a presença de hidrocarboneto na região", disse Forman a Reuters.

"Seria interessante incluir uma bacia como a de Pelotas, uma nova fronteira, onde se tem pouco dado. Teve um 'bid' no Uruguai numa região próxima, se houver interesse lá, vai ter aqui também", acrescentou o geólogo.

Em 2014, ano de eleição presidencial do país, a ANP e o governo não realizarão nenhuma rodada de licitação de áreas de petróleo, após promover três certames em 2013, sendo um deles no novo modelo de partilha de produção, no pré-sal.

(Com reportagem adicional de Marta Nogueira)