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Banco Central muda discurso em ata do Copom e sinaliza fim da alta do juro

Victor Martins, Adriana Fernandes e Renata Veríssimo, da Agência Estado

10 Abril 2014 | 08h 30

Ata do Copom retirou ‘continuidade’ ao falar de ser apropriado ajuste nas condições monetárias

BRASÍLIA - Em um discurso mais ameno, o Banco Central sinalizou que a alta do juro básico da economia pode estar perto do fim. Na ata do do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC retirou a palavra "continuidade" ao falar de ser apropriado ajuste nas condições monetárias. Na semana passada, o Copom elevou a Selic para 11% ao ano. O juro vem subindo desde abril de 2013.

A ata também retirou a palavra "especialmente" ao falar da vigilância da política monetária. O documento ainda reafirmou que os efeitos de política monetária são cumulativos e se manifestam com defasagem. A instituição ainda chamou a atenção para o choque de preços dos alimentos in natura e, assim como o presidente do BC, Alexandre Tombini já havia dito, garante que esse choque é temporário e tende a se reverter nos próximos meses.

Nesta quarta-feira, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostrou uma aceleração da inflação para 0,92% em março, sendo que o grupo Alimentos foi responsável por mais da metada da alta.

O Copom ponderou na ata, no entanto, que a elevada variação de preços nos últimos 12 meses contribui para a inflação ainda resistente. O Copom repetiu informação da ata anterior, de que a depreciação e volatilidade da taxa de câmbio vista nos últimos meses permite uma natural e esperada correção de preços relativos e que os movimentos nos mercados de divisas são reflexos da transição dos mercados financeiros.

Em uma ata cheia de novidades, o Copom informou que a trajetória de indicadores está em linha com o que se poderia antecipar e que, para os próximos trimestres, eles também se apresentam em linha. Na ata anterior, da reunião de fevereiro, não havia essa informação. 

O documento informou ainda que os impulsos monetários introduzidos na economia, o aumento de juros iniciado em abril do ano passado, têm se propagado normalmente por intermédio dos canais de transmissão. A instituição reafirmou, em seguida, que os efeitos das ações de política monetária sobre a inflação são cumulativos e se manifestam com defasagens. "O Comitê entende que parte significativa da resposta dos preços ao atual ciclo de aperto monetário ainda está por se materializar", informou o documento. A instituição ainda destacou que é plausível afirmar que, na presença de níveis de confiança relativamente modestos, os efeitos das ações de política monetária tendem a ser potencializados.

Inflação. A ata também excluiu do documento a expressão "moderação na margem" quando tratou de inflação ao consumidor em 12 meses. Segundo o documento, o custo de vida tem se mostrado ligeiramente acima do que se esperava. A instituição observa ainda que se faz necessário, com a devida tempestividade, reverter o processo inflacionário.

O documento traz uma avaliação sobre demanda, informa que o consumo das famílias tende a continuar em "ritmo moderado de expansão". A ata explica que esse arrefecimento ocorre em função do crescimento da renda e da expansão moderada do crédito e das condições financeiras relativamente favoráveis.

A instituição ainda destaca que as condições financeiras são "relativamente favoráveis", sobretudo pela concessão de serviços públicos, ampliação das áreas de exploração de petróleo e de um cenário que sugere a expansão dos investimentos.

O Copom aumentou a projeção para o IPCA de 2014 no cenário de referência em relação ao valor considerado na reunião de fevereiro, permanecendo acima do centro da meta de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, a projeção de inflação para 2014 também subiu em relação ao valor considerado na reunião de fevereiro e seguiu acima da meta para o IPCA. Para 2015, em ambos os cenários, a projeção de inflação também elevou-se e se posiciona acima do valor central da meta.

No Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado no fim de março, o BC informou que a expectativa de inflação ao final de 2014, pelo cenário de referência, era de 6,1%, embora ainda não considerasse a última elevação dos juros, para 11%. No cenário de mercado, a projeção do RTI para o final de 2014 era de 6,2%.

Dólar. A ata reduziu sua premissa para o câmbio para R$ 2,30 pelo cenário de referência. Na ata anterior, divulgada em fevereiro, a projeção era de R$ 2,40. O Banco Central já tinha reduzido essa estimativa para R$ 2,35 no Relatório Trimestral de Inflação, divulgado em março.

O valor considerado para o dólar está acima do valor negociado no dia em que o colegiado decidiu elevar a Selic para 11% ao ano, quando o dólar fechou em R$ 2,2720. No mercado futuro, o dólar para maio fechou no dia da reunião do Copom, na semana passada, em R$ 2,2850.

Para a taxa básica de juros, o colegiado ampliou o patamar considerado de 10,50% para 10,75% ao ano em todo horizonte relevante.

Superávit primário. O Copom voltou a informar, no trecho da ata que fala sobre a avaliação prospectiva das tendências de inflação, que considera como indicador fiscal o superávit primário estrutural que deriva das trajetórias de superávit primário, tanto para 2014 quanto para 2015, conforme parâmetros estabelecidos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) desse ano. "Dessa forma, em determinado período, o impulso fiscal equivale à variação do superávit estrutural em relação ao observado no período anterior", afirma, repetindo a ata de fevereiro.

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